sábado, 19 de dezembro de 2009

Sinapse labial

Não existe nada mais sináptico que um beijo.

Beijo beijo eu quero dizer, não aquelas trombadas de bochechas que as pessoas se dão jogando beijos no espaço sideral.

Beijo que alguns chamam de novela e que os ingleses chamam de beijo francês (nunca me explicaram como é o beijo inglês, mas vitorianos da forma que são, deve ser algo bem sem graça).

Sinapses, nos explica a neurologia são as regiões de comunicação entre os neurônios. Para que neurônios vizinhos se comuniquem são necessários alguns mediadores físico químicos chamados de neurotransmissores. É verdade que um beijo acaba com qualquer neuras, mas sempre é um transmissor de primeira.

Sendo uma sinapse a transmissão de estímulos, o encontro lábios é algo que consegue elevar essa transmissão a faixas de frequência que Herz jamais imaginaria existirem.

Na sinapses labiais não existem fendas sinápticas, aliás não existe nada entre os lábios, um beijo efetivamente sináptico é aquele que não deixa passar nem um fio de cabelo, ainda que, de vez em quando, alguns deles fiquem presos entre as terminações nervosas, como se fossem dentritos, colaborando para consecução da mesma.

Um beijo bem dado nunca vai provocar sinapses inibitórias. Para beijar é necessário que qualquer inibição seja colocada de lado, caso contrário jamais ocorrerá a hiperpolarização das demais membranas e a probabilidade de ocorrência de ação fica com potencial nulo.

Todas as sinapses osculares são excitatórias. Os participantes do evento se despolarizam do resto do mundo e se entregam de forma dependente a dar e receber tudo que possuem.

Quando a despolarização é completa, aí sim os estímulos se neurotransmitem para novas ligações cujos detalhes serão objetos da próxima aula que tratará do encontro do axônio com a aminobutírica.

4 comentários:

Lucila disse...

E o mais legal é que na hora H ninguém fica se lembrando da biologia!! rsrs

Sinapses especiais

Maria disse...

Lembro do meu primeiro beijo como sefosse hoje, quando acabou ele disse que eu beijava muito bem, se eu já tinha beijado antes e na maior cara de pau disse: já beijei doze!!!
Foi com certeza o beijo melhor que provei e jamais vou esquecer de como duas bocas e duas línguas faziam o corpo ficar completamente enlouquecido. Outros beijos vieram depois, infelizmente nenhum tão bom quanto aquele que tive por dois anos e sem mentira: sinto o gosto, sinto a saliva, sinto a barba roçando..
Parabéns Fábio, o texto me fez viajar.
Beijo :)

Elis Zampieri disse...

Sináptico mesmo foi o meu primeiro beijo. Nossos neurotransmissores devem ter se comunicado assim: "Estes lábios nunca mais viverão sem se encontrar" Eles se encontram até hoje. :-)

Juliana disse...

Continuo achando que o melhor não é o primeiro, mas sempre o último.