sábado, 12 de dezembro de 2009

Primeiro amor

Como qualquer adolescente Júlio sofria com as mudanças que a sua vida enfrentava. Os hormônios não lhe davam sossego e, como se não lhe bastassem as mudanças que o seu corpo passava, ela ainda era afetado por questões emocionais.

Não que essas questões lhe soassem ruins, pelo contrário, ele mesmo reconhecia que quase todas eram muito boas, mas existiam momentos em quem não sabia exatamente como lidar com elas.

Uma delas era administrar sua paixão por Manoela. Era seu primeiro amor. Surgiu de forma imprevista e violenta, arrastando todos os seus pensamentos só para a namorada.

Sua mãe reclamava que ele, um ótimo aluno, não estudava mais, que dormia pouco e estava comendo mal. Apesar disso, o menino continuava a dar conta das suas obrigações.

A paixão também transformou muitos dos seus comportamentos e acentuou outros. Nesse ponto, ninguém reclamava, nem os pais, nem os professores que percebiam que ele tinha se tornado muito mais carinhoso e atencioso com as pessoas, ao contrário dos seus colegas que viravam bichos quase intratáveis nessa idade.

Júlio achava isso tudo muito bom. Só que, como qualquer adolescente, precisava permanentemente de reforço positivo. Por mais que soubesse e sentisse o amor de Manoela ele ficava extremamente ansioso se ficasse sem receber notícias dela por muito tempo.

Pediu que o pai lhe comprasse um iPhone para que ele pudesse ficar conectado 24h por dia. Olhava para a telinha a cada cinco minutos e, quando se passava mais de meia hora sem nenhuma mensagem, ele começava a ficar inquieto querendo ligar para ela.

Só que a menina também tinha suas obrigações e não podia ficar o tempo todo no telefone ou na frente do computador. Júlio sabia disso, entendia isso, mas não se conformava com isso.

Um dia ele estava falando com ela no telefone, quando ela precisou desligar por que ia começar a sua aula. Ele ficou esperando que ela lhe mandasse um torpedo, um e-mail, um sinal de fumaça. E nada.

Não resistiu e telefonou. Caiu na caixa-postal, é claro. Entrou em pânico (como se não soubesse que Manoela desligava o telefone durante a aula). Não iria conseguir esperar até o final do horário escolar, ainda faltavam quase duas horas.

Avisou a mãe que estava saindo, mas que voltava antes de ir para a sua aula. Correu os dez quarteirões que separavam sua casa da escola de Manoela e, chegando, disse para o porteiro que precisava entregar um livro que Manoela tinha esquecido de levar.

Subiu as escadas voando, sabia que ela estava no laboratório de biologia. Quando chegou na porta viu a amada no fundo da classe, num dos microscópios observando protozoários. A professora veio em sua direção para saber o que ele estava fazendo lá.

Júlio ignorou a professora e caminhou em direção a Manoela que, com os olhos nas lentes, não percebeu sua aproximação. Quando ele chegou perto ela levou um susto.

Júlio olhou-a nos olhos. A imagem da amada o persuadia a qualquer loucura. Beijou-a e disse que tinha um recado urgente. Ela ficou ainda mais assustada, até que, como se algo preso na sua garganta subitamente fosse expelido, ele disse:

" - Eu precisava dizer que eu te amo".

3 comentários:

Vilma Mello disse...

Coitado do Julio, que desespero,ainda bem que ele conseguiu dizer

beijos de sábado

Juliana disse...

Em que momento da vida que a gente perde essa loucura saudável?

Rubinho Osório disse...

Reminiscências, hein???