quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A cor da alfazema

See, how she leans her cheek upon her hand!
O, that I were a glove upon that hand,
That I might touch that cheek!
(Shakespeare)

Estudar poesia estraga os poemas ele costumava dizer.

Para que diabos alguém precisa explicar um poema? É como explicar o por do sol ou uma noite de lua cheia.

Ela já conhecia seu discurso, o que não a impedia de o olhar embevecida cada vez que ele recomeçava.

Ele continuava discorrendo sobre a música de Mozart ou de Cole Porter.

Para que ler as críticas? Sente-se tudo, ou não tem valor nenhum.

É como se alguém olhando uma flor de alfazema tentasse explicar a química dos pigmentos.

Você olha a flor e se encanta. Ou não. Você sente seu perfume e sonha. Ou não.

Não existe explicação que possa definir a beleza. Não há exegese para a emoção.

Ela suspirou profundamente. O sorriso encheu seu rosto.

Ele a olhou. Por alguns minutos ficou imóvel com o olhar fixo na sua direção.

Ela o olhou. Com o queixo apoiado na sua mão esquerda. Ele não resistiu.

É como tentar explicar o sorriso no rosto mais lindo do mundo.

Um sorriso que é poesia. Poesia que é canção. Canção que é luar.

Luar que é alfazema beijando minha alma.

3 comentários:

Lucila disse...

Tenho a opinião de que, se precisa explicar é porque não foi bem escrito. Beijos enormes.

Rubinho Osório disse...

Oh! M-y G-o-d!!! Alfazemático!!!!

Raquel disse...

Concordo! Para gostar,não precisa entender,basta gostar.