sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Violino único

Erick nasceu numa família de apaixonados por música. Seus pais eram instrumentistas, alguns de seus tios chegaram mesmo a atuar profissionalmente.

Ainda pequeno escolheu o violino para ser seu companheiro musical. Tinha tudo para ser um gênio precoce mas nunca quis se dedicar profissionalmente a isso.

Mesmo assim continou estudando disciplinadamente e tocando a vida toda. Chegou a tocar junto com algumas orquestras, sempre como um hobby.

Além de tocar era um especialista no instrumento. Conhecia cada detalhe de sua fabricação e de seus cuidados. Muitos músicos o consultavam antes de adquirir um violino mais caro.

Com isso, acabou conhecendo violinos de todos os tipos. Uma vez, durante uma viagem, um amigo seu falou dele para o diretor de um museu que lhe permitiu tocar num Stradivarius.

Mas nunca trocou o seu violino por nenhum outro, mesmo pelos que considerava melhores.

Até o dia que foi chamado pelo dono de uma loja de antiguidades para avaliar uma peça que ele tinha recebido. Era diferente de tudo que tinha conhecido na vida.

O instrumento era de uma madeira bege rosada. A voluta densa e brilhante, suas cravelhas firmes, o espelho tinha contornos suaves e a escala não tinha nenhuma imperfeição, mesmo considerando que não era um violino novo. Até a surdina e o talão não tinham similares.

Quis saber mais a respeito da história do instrumento. Descobriu que tinha sido o único violino fabricado por um luthier estrangeiro que viera morar no Brasil. Pensou consigo mesmo que existiam cerca de 650 Stradivarius no mundo, mas nenhum outro igual aquele.

Foi honesto com o dono da loja. Aquilo era uma preciosidade, uma peça única e valiosíssima. E que queria comprá-la. O lojista que imaginava que um violino de um fabricante anônimo não valeria nada, vendeu-lhe o mesmo por um preço alto, mas não extorsivo.

Erick voltou para casa com sua jóia rara. Abriu a caixa e foi para a varanda e começou a tocar os Caprichos de Paganini. Os vizinho começaram a aparecer nas janelas, como se encantados por um novo músico de Hamelin. Quando acabou o 24º capricho foi aplaudido efusivamente.

Naquela noite, Erick descobriu, enfim, o que era ser um homem feliz.

5 comentários:

Juliana disse...

Os caprichos realmente são um arraso para quem gosta de violino.

Vilma Mello disse...

Um final feliz e merecido

beijos de sexta

Lucila disse...

Momentos de felicidade são únicos! Cada um tem um sabor particular que jamais se repete.
O segredo é encontrar esse sabor e apreciá-lo sempre.

Beijos únicos

Chris Rodrigues disse...

Fiquei feliz também!

Ricardo Russio disse...

Madeira, metal. Graves, agudos, "sustain"... como é bom tocar as pessoas.
abs!