sábado, 17 de outubro de 2009

Abrindo latas

Conservar alimentos sempre foi um problema que a humanidade tentou resolver. Afinal de contas, quem é nunca gostou de guardar a sobra daquele prato de comida delicioso para uma escapada noturna à geladeira.

Mas nem sempre o mundo teve geladeira. Nossos antepassados tentaram os mais variados métodos, secagem, salinização, defumação e até mesmo o uso de saliva de camelos malgaxes. Porém, todos esses procedimentos conservavam os alimentos por pouco tempo e com escassas garantias.

A industrialização da conserva só teve início no século XIX quando o confeiteiro francês Appert resolveu usar seu patronímico como técnica de conservação dos seus doces. Um dia, quando preparava uma pasta de amêndoas e a colocava dentro de uma garrafa, reclamou com a mulher que a massa não caberia ali, ao que ela lhe respondeu: apperte.

Se ele appertase demais a pasta sairia pelas bordas, resolveu então derreter um pouco de cera e colocar sobre o produto. A cera resfriada endureceu e fechou o pote de vidro.

Algumas semanas depois, quando perseguia uma de suas funcionárias na despensa da confeitaria, esbarrou no pote que caiu no chão e quebrou. Appert notou que a pasta de amêndoas mantinha seu sabor e aroma, o que o deixou cheio de idéias. Tanto que a moça ficou exalando cheiro de amêndoa por mais de uma semana (os franceses, como é sabido, não tem o hábito de se banhar com muita frequência).

Appert continuou apertando alimentos em vidros e garotas na despensa, enquanto isso um certo Durand, também influenciado pelo nome, concluiu que os alimentos estariam durando mais em recipientes metálicos do que em vidro, que era muito frágil. Inventou latas de ferro estanhadas em 1810. Seu invento foi um sucesso, poucos anos depois já se produziam milhares de latas com ervilhas, tomates e sardinhas.

No entanto, o revés com o qual Durand não contava é que ninguém tinha ainda inventado o abridor de latas.O que só foi acontecer em 1858, ou seja, 45 anos depois da produção industrial de latas de conservas e, mesmo assim, os primeiros modelos eram bastante desajeitados.

Mas serviram para abrir as latas de Durand e também para que descobrissem que até conserva tem limite (o conceito de prazo de validade só foi aparecer no final do século XX com o advento dos códigos de defesa do consumidor).

Ingleses e americanos, ansiosos que estavam para consumir o conteúdo das latas que ficaram lacradas por quase 5 décadas, nem se deram ao trabalho de verificar o estado em que os alimentos se encontravam e os consumiram avidamente.

A abertura das latas, coincidiu com uma epidemia de enterite que ficou conhecida em Boston como a "Grande diarréia" que, não só paralisou as atividades da cidade, como provocou o primeiro black-out do sistema de esgotos da região. Mas essa é uma história para uma outra publicação.

4 comentários:

Vilma Mello disse...

Como se já não me bastasse uma amiga com problemas com o abridor de lata (risos)

beijos de sábado

Juliana disse...

O papel higiênico foi inventado antes ou depois da grande diarréia?

Raquel disse...

A"grande diarréia" aconteceu no lugar certo,Boston...

Elis Zampieri disse...

Santa inspiração. Eu fico cá me perguntando de onde elas vêm. hehehe!