quinta-feira, 4 de junho de 2009

A teia

Edgar já estava embrenhado há semanas nas cavernas da mata Atlântica. Dedicava-se a pesquisar os diversos tipos de aranhas existentes no Jacupiranga.

Na verdade, depois de recolher exemplares de várias espécies, fotografar e catalogar outras, já pensava em encerrar seu tempo selvagem e voltar para a universidade para começar a escrever seu trabalho sobre seus estudos.

Juntou suas mochilas com todo o seu material e começou a caminhada de volta. Uma chuva mais forte o obrigou a parar um bom tempo e, quando notou já estava anoitecendo. Teria de passar mais uma noite na mata.

Não muito longe de onde estava avistou a boca de uma caverna. Não parecia ser das maiores, mas o suficiente para abrigá-lo naquela noite. Entrou, procurou vestígios de algum animal para se certificar de que não estava invadindo o espaço de alguém. Parecia tudo tranquilo.

Descarregou a mochila onde estava seu saco de dormir, se instalou no lugar, comeu apenas algumas bolachas para não ter de abrir o saco de provisões e deitou-se com o objetivo de acordar bem cedo.

Acordou no meio da noite com um som estranho. Achou que poderia ser algum bicho em busca de abrigo. Acendeu a lanterna, mas não viu nada. Ou melhor, não viu nenhum animal, o que viu o deixou muito mais surpreso e tenso.

A alguns metros de distância notou algo que parecia um tecido preso nos estalactites. Não era um tecido qualquer, ele formava uma palavra : meganha. Uma brincadeira de algum outro explorador? Uma mensagem de algum criminoso em fuga?

Resolveu olhar de perto. Não era um tecido. Era uma imensa teia de aranha.

Para um aracnologista aquilo era uma descoberta histórica. Teria encontrado uma espécie não catalogada ? Mais que isso, teria encontrado uma aranha que tecia letras com algum sentido lógico?

Foi pegar o lampião, precisava iluminar melhor a caverna e procurar a artrópode maravilhosa. Ficaria mais famoso que Carl Alexander Clerk, sua aranha seria mais importante que todas as demais 200 mil espécies conhecidas.

Por mais que procurasse não encontra nenhum sinal, pior, pelo tamanho e espessura dos fios deveria ser uma das grandes.

Concluiu que ela não estava na caverna, uma aranha desse tamnho não teria agilidade para se esquivar tão rapidamente da luz. Resolveu voltar para o saco de dormir, pela manhã, com um pouco mais de luz, continuaria a busca.

Deitou-se. Apagou o lampião. Certificou-se de que a lanterna estava ao seu alcance e virou de lado.

Semanas depois um dos soldados que trabalhava nas buscas avistou a caverna. Entrou para ver se havia algum sinal de Edgar. Nada. A caverna estava completamente vazia.

Mas não lhe escapou aos olhos uma enorme teia de aranha. Especialmente porque parecia ter algo escrito nela.

E tinha mesmo. Estava escrito : aracnólogo.

2 comentários:

Bel disse...

Ui!!! Fiquei com medo!
(Você já viu as fotos do "aranhal" que encontrei em Vitória da Conquista?)

Bjo

Lucila disse...

Ótima!!!! Adorei!!!! Aranha com senso de humor é fantástico!!!
Bjos

P.S. Não precisei procurar "espeleologia" no dicionário! Essa eu sabia! \o/