domingo, 21 de junho de 2009

Contículo irônico

Clarisse e Lídia se adoravam. Colegas de classe, nunca perdiam a chance de cutucar uma à com a sutileza de um elefante numa loja de cristais.

A cada encontro entrebeijavam-se porque não podiam se morder.

Como aquela tarde numa das mesas da cantina. Clarisse escorregou no piso molhado e esborrachou-se com as nádegas no chão.

Lídia logo acorreu em sua direção : " - Está tudo bem ?"

" - Estou muuuito bem!" redarguiu Clarisse, "melhor só se depois disso você me desse um pontapé".

"- Você está intolerante hoje", Lídia comentou com um riso entre os dentes.

" -Não diga, meu amor! Isso só acontece quando dou esse tipo de espetáculo"

"- Sei lá, acho que esse tombo foi só para disfarçar o fato de que você foi tão bem na prova que nem tirou a nota mínima"

" Nem poderia mesmo. "A excelente Dona Inácia é mestra na arte de maltratar seus alunos."

" Meu anjinho, briga com todos que estão por perto."

Antes que as duas se atracassem, chegou o professor de literatura portuguesa mandou que cada uma das adoráveis garotas fosse para um lado, dizendo:

" - Moças lindas, bem tratadas, três séculos de família, burras como uma porta: uns amores!*"

ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico.

* adaptação de Mário de Andrade

2 comentários:

Arimar disse...

Fábio.
Lamentavelmente, cenas assim ocorrem diariamnete , nas mais diversas versões.Não apenas o tombo, também, o café que derrama, a roupa que rasga, a palavra mal colocada, etc, etc. Cenas de ironia, burrice , e demonstrações de que o ser humano está cada vez mais perdendo o sentido principal de sua vida.
Beijos sinceros e amigo.
Bom domingo para você e familiada.
Arimar

Anac disse...

Amei, copiei para a minha filha mais velha ler
Abraços!!!