sábado, 16 de agosto de 2008

Confissões de um traidor

e.e. cummings é bastante conhecido pelo estilo não usual utilizado em muitos de seus poemas, que incluem o uso não ortodoxo tanto das letras maiúsculas quanto da pontuação, com as quais, inesperadamente, sem motivo e de forma aparentemente errônea, é capaz de interromper uma frase, ou mesmo palavras individualmente. Muitos de seus poemas possuem, também, uma distribuição não convencional, aparentando pouco ou nenhum sentido até serem lidos em voz alta.

poema vi


uma vez que primeiro vem o sentir
este que repara atentamente
na sintaxe de cada coisa
jamais te beijará por inteiro
inteiramente insano
durante a Primavera que acontece

meu sangue aprova
e beijos tem melhor destino
que a sabedoria
posso garantir, por cada flor, senhora. Não chore
- o melhor gesto do meu pensar vale menos
que o movimento dos seus olhos que dizem

somos feitos um para o outro: então
ria, descansando nos meus braços
a vida não se resume a um parágrafo.

A morte é muito mais que um parêntesis.


poem vi

since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;
wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry
—the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says

we are for each other: then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph

And death i think is no parenthesis

(e.e.cummings - xix poemas - Assírio & Alvim - Lisboa 1998)

Para entender melhor as traições clique aqui

2 comentários:

Juliana disse...

Bonito, especialmente a métrica da vida, muitos parágrafos.

Engraçado que quando você fala sério a audiência cai.

Vilma disse...

A vida é interrogação e a morte é reticência.O beijo responde e preenche. A sabedoria sobra.