sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Conticulóides al mare


Lula

Gostava de suas boas e velhas canetas tinteiro mas estava cada vez mais difícil conseguir comprar tinta para as mesmas. Precisava ir ao centro numa velha papelaria que ainda importava o produto. Quando a loja fechou não teve outra alternativa senão subornar os funcionários da peixaria.

Camarão

Todos os dias se despedia da mulher, passava no porto para comprar iscas e seguia em direção à mesma pedra da ponta da praia de onde voltava com uns robalinhos e umas pescadas. Até o dia em que fisgou uma perna-de-moça e nunca mais voltou para casa.

Polvo (de um mote de Bebé Astolfi)

Algumas mulheres gostavam. Outras não. mesmo nos mais ingênuos namoricos ele sempre parecia ter mãos em todos os lugares. Até que encontrou seu par perfeito : a mulher que achava que mão boba era a outra que estava sem fazer nada.

Ostra

Tímida demais. Nunca saia de casa e, quando não podia evitar o fazia muito cedo ou muito tarde para não correr o risco de encontrar tanta gente e, especialmente, algum conhecido. Uma madrugada na feira, o musculoso vendedor perguntou se queria limão. Ela desmontou e foi engolida numa só tragada.

Vieiras

Certa noite acordou com muita dor de cabeça, como se algo quisesse sair pela moleira. Tomou banho, analgésicos, leite e até algumas doses de whisky. Só se sentiu aliviado quando se sentou em frente ao computador e começou a escrever. Era manhã de quaresma e o sermão estava pronto.

2 comentários:

Vilma disse...

Para Paella a Marineira falta o arroz e os legumes.
Gostei da ostra que saia de madrugada para ir á feira,como será que ela empurrava o carrinho?

Juliana disse...

Adoro polvos. Terá alguma explicação psicopropedêutica?