domingo, 31 de agosto de 2008

Constatações olímpicas

Passamos por mais uma olimpíada. Do evento eu até gosto, mas a cobertura jornalística me mata. Na semana começam as para-olimpíadas (ou "as olímpiadas dos coitadinhos que superaram todas as suas limitações..." conforme narrará a mídia). Sobre esse assunto já escrevi em Vidas Paralelas.

Vamos a Pequim:

204 países participaram das Olimpíadas de Pequim, 87 ganharam medalhas, 55 países ganharam, pelo menos, 1 medalha de ouro. Os Estados Unidos ganharam mais medalhas, 110. A China ganhou mais medalhas de ouro, 51.

Se Michael Phelps fosse um país ele teria acabado os jogos em 10o. lugar, à frente de países como a Holanda, França e Canadá

Sem as medalhas de Usain Bolt, a Jamaica cairia da 13a para a 23a posição. Se o Brasil não jogasse vôlei, perderia quase 10 posições também.

Nas Américas, o Brasil só ficou atrás dos Estados Unidos, Canadá (de quem só perdemos na Prata) e da Jamaica "Bolt" e, pela primeira vez, à frente de Cuba.

Se ainda existisse, a União Soviética teria ficado em segundo lugar com 44 medalhas de ouro.

O maior vice da competição foram os Estados Unidos (vice no geral e o maior ganhador de medalhas de prata)

O Brasil terminou em 23o lugar. O que pode parecer pior que o 16o lugar de Atenas. Mas em Atenas ganhamos 10 medalhas, em Pequim 15 (nem nas Olimpiadas boicotadas, Moscou e Los Angeles, chegamos perto disso)

E não esqueça, historicamente esse é o país da Vela e do Vôlei (16 medalhas cada), do Judô (15 medalhas), do Atletismo (14 medalhas) e da Natação (11). Ou seja, 77% das 91 medalhas que o Brasil ganhou em todas as edições das olimpíadas.

Eu, que não sou um ufanista, mas também não suporto o tom derrotista da nossa imprensa esportiva que é reproduzido nas ruas, como um bando de papagaios chorões, saúdo os homens e mulheres de ouro, prata e bronze.

E também aqueles que, mesmo não ganhando medalhas, chegaram até lá, um pouco mais de 250 pessoas (1 em cada 700.000 habitantes), o que não é para qualquer mortal.

4 comentários:

Lou Mello disse...

Nada a acrescentar. É isso mesmo. Você disse tudo. Gostei muito, não pela violência, mas pela perfeição técnica do ippon que o Leandro Guilleiro deu no iraniano ao ficar com a medalha de bronze. Por alguns segundos, senti orgulho de ser brasileiro. Claro que já voltei ao normal. Das de ouro, gostei mais da conquistada pela Maureen. Me emocionou.

Bebé Astolfi disse...

Olha, eu acho q seu post foi a única coisa que me interessou das olimpíadas. Eu não ligo pra isso e também acho que o esporte de alta performance precisa se desligar do mundo da guerra fria como símbolo de superioridade cultural-econômica-etc. Trata-se de entretenimento, for crist sake... É legal, um pouquinho de cultura geral para as massas and that's it!

clau disse...

Concordo com o que vc disse.
E, apesar de nao ter acompanhado a massacrante cobertura televisiva, em nada, o fiz através da net.
O esporte, hoje em dia, esta MUITO desvirtuado, com todo o dinheiro, dopings mirabolantes e interesses excusos.
E no meio disto, temos muita estoria de sacrificio e empenho individual, quase solitario.
E ponto para quem conseguiu resultado em uma condiçao assim!!
Bjs!

Braulio França disse...

Estar competindo em uma olimpíada é um êxtase que somente quem está lá sabe como é que é!