terça-feira, 5 de agosto de 2008

Salada especial

Eu admito que já cometi várias barbaridades na cozinha. Algumas eu já contei por aqui , mas ainda não cheguei à perfeição do chef britânico Antony Worrall Thompson - desastre desse calibre, só mesmo cometido por um profissional.

E não é qualquer profissional, o homem que faz programas de televisão deu uma entrevista para a revista Healthy & Organic Living que foi obrigada a colocar uma errata na página de entrada do seu site avisando que a "plantinha" que o cara sugeriu colocar nas saladas além de alucinógena (que poderia ser um atrativo para alguns), pode ser letal.

Worrall sugeriu em entrevista acrescentar folhas de meimendro-negro (Hyoscyamus niger) às saladas para torná-las mais interessantes com plantas silvestres. Os leitores ainda estão tentando descobrir "interessantes" para quem.

Depois dizem que salada só faz bem e que alimentação natureba e orgânica é o supra-sumo.

Alguns já começaram a procurar as folhas pelos bosques ingleses para oferecer jantares aos seus desafetos.

Casais em crise conjugal deixaram de jantar juntos, ninguém mais acredita que aquele verdinho no cordeiro é uma inofensiva salsinha.

Muitas sogras abandonaram o hábito de filar a bóia na casa dos genros gourmet.

Aquela confraria de cordiais amigos (que na verdade se odeiam de inveja uns dos outros) suspendeu suas reuniões até que o assunto seja esquecido.

Não se tem ainda a confirmação, mas alguns grupos brasileiros de artistas, adeptos de uma plantinha loucona, estão pensando em lançar um novo grupo dedicado à ingestão de saladinhas de meimendro, mesmo porque, dizem, não aguentam mais essa história de só tomar chá.

E, claro, os telespectadores do programa de Worrall acharam por bem mudar de canal na hora do almoço.

Enquanto isso todos os dias o desastrado chef, ao levantar, repete trinta vezes para o espelho Chenopodium album...Chenopodium album...Chenopodium album ( a ançarinha-branca que ele deveria ter citado no lugar da planta venenosa.

5 comentários:

Prof.Braulio França disse...

Tá cheio de doidões por ai que ficarão curiosos por descobrir plantinhas para incluir em suas saladas. Mas uma certa vez, na minha adolescência, eu fui na casa do amigo do meu amigo... Ele tinha para nos oferecer uma receita caseira de um bolo. Como eu adoro bolos de pandeló, fiquei com a boca cheia de água. Mas o bolo era alternativo demais para o meu gosto, pois continha maconha na fórmula. O cheiro, para mim, era insuportável. Meus colegas comeram com muito gosto e ficaram rindo sem parar quando um olhava para a cara do outro...

clau disse...

Hihihi.
Errar é bom qdo é sò gozado.
Pq qdo parte para ser letal, ai entao, a coisa muda de figura!
Urtiga refogada, por exemplo, é bonissima, com uma bela pasta!
Mas va vc colher-la por ai: ui,ui,
ui...
Cicuta, por sua vez, è super natural, mas nunca deixou de ser um bom de um veneno.
E esperemos nunca ter de encontrar-la compondo, assim, uma destas saladinhas da moda!
Bjs!

gavra disse...

A diferença entre o medicamento e o veneno é apenas a dose.

Considero o alimento o melhor medicamento de todos, mas não se pode exagerar...
Bjs,
Katia

Vilma disse...

Esse chefe só não é mais doido porque não experimenta as próprias receitas...ando desconfiando de alguns chefes que dizem preferir servir os convidados primeiro...ahuahuahuahua

Juliana disse...

Vou prestar mais atenção nas suas receitas e, por via das dúvidas sempre consultar a farmacopeia antes de cozinhar.