terça-feira, 7 de abril de 2009

Um toque de gengibre

Virginia Katherine McMath não foi uma pessoa particularmente conhecida. A menina, nascida em 1911 no Missouri, ganhou um outro nome 14 anos depois num prosaico concurso de dança no Texas, quando passou a atender pelo nome de Ginger.

Apesar de muitos acharem que o apelido vinha dos seus cabelos quase ruivos, e outro que era compatível com o seu gênio (ardida como gengibre), na verdade ela virou Ginger porque um primo pequeno não conseguia falar Virginia e dizia "Ginja".

Baixinha (reparem nos saltos imensos que usava nos filmes), quase loira, quase ruiva, olhos claros e sempre explosiva. Não era o padrão de beleza de Holywood, mas se transformou num dos seus maiores ícones.

Ela dançou no vaudeville e na Broadway, mas foi com Fred Astaire, a partir de 1933, que formou o casal mágico do cinema em 8 filmes.

A mágica de Astaire e de Rogers não pode ser explicada; pode somente ser sentida, assim como as paixões também não se explicam.

Criaram um estilo, um modo, um acontecimento. Flertaram, perseguiram-se, cortejaram, deslizaram, acariciaram-se, saltaram das mais diversas formas, dobraram-se, balançaram, ondularam, aninharam-se-se, giraram.

Era como se fizessem amor diante dos nossos olhos. Não existiu nada semelhante depois disso, por mais tentativas que ambos tivessem feito com outros parceiros.

Dizem que, na vida real, os dois não se suportavam. Mas, o que me importa? Minha relação com ela era a das telas, onde também dava bastante trabalho para o eterno enamorado. (fora das telas ela deve ter dado bastante trabalho para outros, casou-se 5 vezes).

Morreu num mês de abril. O mais cruel dos meses.

Eu, como tantos outros, continuamos a amá-la. Sempre esperando que ela apareça pequena, loira e fulgurante diante dos nossos olhares de Fred Astaire.

2 comentários:

Juliana disse...

Gengibre costuma dar temperos bastante picantes.

clau disse...

Vc vai de Ginger e eu de Astaire.
Os dois formaram uma dupla perfeita, impecavel.
E eram profissionais admiraveis, icones mm.
Mas aquele homem foi um extraordinario dançarino.
Pq com o seu estilo unico, preciso, leve e etéreo, parecia mais com uma pluma que paira e flutua no ar, com graça.
E como tinha classe... MUITA classe!
Boa lembrança esta sua, Fabio!
Bjs!