domingo, 12 de abril de 2009

Contículo perifrásico, quase antonomásico

"E ao rabi simples, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil;
(Raimundo Correia)


Manuel entrou na estrada cedo, ia da terra da garoa para a rainha da Borborema.

O caminho seria longo. Encheu o carro de discos dos quatro rapazes de Liverpool e acelerou.

Apreciava a paisagem de ouro verde banhado pelo astro rei, quando, ao passar pela cidade maravilhosa teve uma visão aterradora.

Um ser descomunal lhe surgiu no caminho, como se fora o rei das selvas diante da presa.

Será a reencarnação do cisne da Mântua ou uma versão fantasmagórica do Dante negro? Nem a dama ou o mestre do suspense ser-lhe-iam capaz de explicar.

Acelerou ainda mais querendo chegar o quanto antes à divisa da terra do poeta dos escravos. Talvez os ares do águia de Haia fizessem desparecer tal visão.

O espectro o perseguia como o corso caçou o povo lusitano, lançando-lhe impropérios da última flor do Lácio.

Manuel não sabia se pedia a proteção aquela que depois de morta foi rainha ou à rainha do pop.

Num gesto de desespero, atirou o carro de um penhasco sobre o o mar, e entregou a alma ao filho de Deus.

Antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade:

4 comentários:

Juliana disse...

Só com o Google é que eu descobri onde fica a Borborema.

clau disse...

Nossa mae...!
Me faltou o respiro, lendo esta sua estoria de espectros e penhascos.
Boa semana para vc, Fabio.
Bjs!

Anônimo disse...

Imagino o que tu imagina quando escreves isto, melhor, nãi imagino não... Eia fertilidade de idéias, nunca imaginariaesse final trágico. Beijão, ótima semana para toda família.
Maria

Ana disse...

Que triste fim teve o homem que se deparou com o monstro......rs