sexta-feira, 24 de abril de 2009

A sedução de uma gata

Banshee era uma gata mimada. Assim tinha sido criada pelo seu dono e assim se convenceu de que era a rainha da sua vida.

Solitário, ele a adotou de forma impulsiva. Não tinha mais esperança de ter alguma companheira. Ela surgiu, como que do nada, em visitas esporádicas no seu quintal.

Ele começou a tentar atraí-la dando sinais de que sua presença era bem vinda.

Ela demorou um pouco a perceber isso. Nas primeiras vezes que ele se aproximou ela fugiu. Depois começou a observá-lo à distância.

Finalmente ela sentiu que ele gostava dela. De certa forma, ela também gostava daquele jogo de sedução.

Quando ela se instalou de vez em sua vida ele começou a cobrí-la de mimos. Ela retribuia com sua atenção e o seu carinho.

Todas as noites, depois que ele chegava do trabalho, ela se acomodava no seu colo.

Ele descobriu que Mozart agradava a bichana, especialmente os concertos. Bastava ligar o som, e ela entrava pela janela.

Quando ele estava triste, ela rolava no chão pedindo brincadeiras. Quando ela estava triste. ele se fazia de palhaço.

Uma noite ela não apareceu. Ele aumentou o volume do som e passou a noite em claro, ouvindo os 41 concertos. Nada.

Acabou desabando de cansaço no sofá, quando acordou, estava coberto de gérberas.

Banshee, sentada majestosa na pia da cozinha, aguardava ansiosa sua tigela de leite.

Nada que ele dissesse poderia dar a mínima noção do que ele sentia. Mas ela sabia que seu amor lhe bastava.

2 comentários:

clau disse...

Uau...que lindo!!!!...
Fabio: eu adorei.
Sou muito ligada em coisas assim, sejam contos, sejam vida real.
Pq aquilo que é incondicional tem sempre um nao sei o que de sublime.
Bom fim de semana para vcs!
Bjs!

Rita Mendonça disse...

Adorei. E passei adiante.
Um bom final de semana, Fábio.