quarta-feira, 15 de abril de 2009

Conticulóides navegantes

Bússola

Andréa só dava cabeçadas na vida. Não conseguia concluir seus estudos, não parava em nenhum emprego, nem com nenhum namorado. Até o dia que conheceu Mário, um paraense, criador de búfalos. Era o norte que buscava.

Sextante

Hélio amava as estrelas. As chamava pelos nomes e as conhecia em detalhes. Professor de astronomia, um dia recebeu na sua sala uma aluna chamada Cassiopéia. O conhecimento foi maior que o amor. Não toleraria ter um genro chamado Perseu.

Astrolábio

Marina sempre fora tão fascinada por bocas que acabou se tornando dentista. Tantas foram as que viu que deixou de acreditar que houvesse uma que realmente combinasse com a sua. Abandonou a carreira e foi ser pintora. Perfeição mesmo só encontrou nos seus desenhos.

Nônio

Carlos não acreditava no que via. Tinha acabado de dar a tacada perfeita. Mais de 300 metros e a bola foi exatamente em direção do 18o buraco e parou milímetros antes de entrar. Processou o clube, contratou uma perícia e constatou que quatro folhas de grama estavam maiores que o permitido pelo regulamento.

Balestilha

Ricardo se contorcia de dor, enquanto a massagista tentava dar um jeito na inflamação do nervo ciático que o afligia. A cada toque um urro. A cada urro um palavrão. E a certeza de que ele já passara da idade para descobrir os segredos do kama sutra.

Um comentário:

Juliana disse...

Impagável. Ri tanto da história do ciático que quase fiz xixi nas calças.