sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mistura de sotaques

“- Mas , bichinho, esse negócio é tri legal, não se avexe e pode trazer os guris para conhecer a plantação. Eu preparo aquele fogo de chão e já vou temperando a carne de sol com sal grosso e o charque com um pouquinho de dendê....”

Isso lhe soa muito estranho ? Parece bahiano que migrou para Vacaria ou algum gaúcho morando em Itapoan ? Pois saiba que alguns dos melhores vinhos gaúchos hoje são produzidos no sertão da Bahia e de Pernambuco.

A região do Vale do São Francisco vem-se firmando como um importante pólo de produção de vinho no país. Nesta região, o vinho tem características originais e uma personalidade que tem feito crescer sua participação no mercado brasileiro e torná-lo competitivo no comércio internacional, que exibe a tendência por consumo de vinhos jovens. A produtividade é a grande vantagem da Bahia em relação ao Rio Grande do Sul, no Nordeste, por conta da grande insolação, a videira produz duas safras e meia de uvas por ano com qualidade igual ou superior à das regiões vinícolas mais bem-faladas do mundo, enquanto no Sul há somente uma colheita que dura um mês, de janeiro a fevereiro.

A produção pernambucana de vinho, concentrada em oito vinícolas no município de Lagoa Grande (PE), já detém 15% do mercado nacional de vinhos finos. Essas empresas produzem por ano cerca de sete milhões de litros de vinho fino de mesa e movimentam um negócio de, aproximadamente, 50 milhões de reais. A atividade deve crescer ainda mais. Atualmente, mais quatro vinícolas estão se instalando na região e um grupo empresarial português deve instalar uma fábrica para produção de garrafas. A estimativa é de que o setor receba investimentos da ordem de 100 milhões de reais em infra-estrutura e nas vinícolas.

O plantio de videiras na região começou há cerca de 20 anos, apenas com variedades de mesa e, ao contrário do que se imaginava, o Vale do São Francisco tem condições climáticas e de solo favoráveis também para a produção de uvas finas. Graças a um longo trabalho de aclimatação, o desejo de se produzir uvas viníferas, de mais difícil adaptação, foi alcançado.

Ao final desse processo, as variedades Shiraz e Moscatel foram as que melhor se adaptaram às características climáticas da região, onde existem hoje aproximadamente 30 fazendas que produzem diversas variedades de uva, na divisa dos estados de Pernambuco e Bahia, o pólo vinícola do Nordeste já é o segundo maior produtor de vinho do Brasil.

E alguns vinhos são muito bons, o Moscatel Terranova, por exemplo, ganhou a medalha de ouro na região de Asti, na Itália. A Miolo já fabrica em Casanova as marcas Terranova Shiraz, o Espumante Moscatel Terranova, processo Asti, e o único vinho de sobremesa brasileiro, o Late Harvest. A empresa é ainda responsável pelo lançamento do primeiro vinho de guarda produzido no Vale do São Francisco, o Terranova Cabernet Sauvignon/Shiraz, provando que o sertão não é só a terra dos vinhos jovens.

O TerraNova Cabernet Shiraz é um vinho de guarda, resultado de um corte de 50% de Cabernet Sauvignon, que lhe confere estrutura e robustez, e 50% de Shiraz, que lhe confere complexidade. É um vinho bem-estruturado, que pode envelhecer por alguns anos.. Já o tinto Shiraz tem aroma intenso da uva e de madeiras. Seu sabor é equilibrado, com taninos doces e marcantes. O Moscatel apresenta uma cor amarelo pálido, de aroma intenso, fresco e um doce sabor, com um final de boca bem refrescante. Doce e constante ao paladar, o Late Harvest tem bom equilíbrio do açúcar e acidez. Seu aroma é forte, com toques de frutas, flores e madeira. Apresenta uma cor com tonalidades que vão do amarelo ao dourado.

Em Pernambuco, o destaque é o Garziera, com o seu espumante. Elaborado pelo processo Asti a partir de uvas moscatel é ligeiramente doce, leve e fino. O Shiraz é um vinho de cor rubi intensa, de aroma acentuado, além de maciez e equilíbrio nos taninos, com toques de carvalho.

Mesmo que você tenha passado por um choque inicial, tenho certeza que alguma hora você vai perceber que o charque fica bem mais saboroso temperado com dendê.

7 comentários:

Bel disse...

Você bebeu. Tenho absoluta certeza.
E moqueca de charque é realmente uma delícia!!! Perde quem não experimentou ainda!!!

clau disse...

Oi Fabio!
Ja que vi que vc gosta tanto de vinhos, era bom que vc conhecesse meu marido, Gianluca. Pq ele nasceu no meio de uma vinha, como todos os seus antepassados etruscos. E deve ter caido inumeras vzs em um tonel de vinho ou de grappa, qdo era pequeno. Hihihi...
O fato é que ele é um experto sommelier profissional, que tem tb uma comunidade ali no orkut "Il vino e l'allegra compagnia".
...penso que vcs teriam otimas conversas!
Bjs!

Vilma disse...

Aqui estamos apaixonados pelos vinhos da Vínicula Durigan( Sta felicidade-Curitiba- Pr),parece que estamos mastigando a própria uva...quando puder experimente, quem sabe você acrescenta "leitE quentE ao seu sotaque. rs

Fábio Adiron disse...

Clau : o Gianluca é primo do Obelix??

Juliana disse...

Daqui a pouco você vai sugerir bolinho de pirarucu com sangue de boi...

clau disse...

...naaaao Fabio!
O Obelix é que foi inspirado na vida dele, e de tantos italianos que passaram por isto, na vida...!
Pq,de acordo com a minha fiel e precisissima interpretaçao dos fatos, as pessoas estao sempre roubando as idéias dos outros!
Hihihihi!
Bjs!

eu disse...

Gosto muito do que sempre leio aqui, aproveitando bom dia dos Pais...

Januario