domingo, 8 de junho de 2008

Prá lá do Cafundó

Não sei porque muitas pessoas se espantam com a profusão de insanidades que pululam nesse blog.

Seria eu uma fonte inesgotável de idéias absurdas ou teria encontrado algum caderno de rascunhos inéditos de Julio Cortázar em algum sebo ?

Nem uma coisa nem outra. Apenas o fato de que fico atento a pequenas coisas que acontecem à minha volta e, por algum processo de imantação as insanidades vêm em minha direção.

Uma frase mal colocada por alguém, uma notícia incoerente (e são tantas), uma propaganda esdrúxula. Nem preciso de muito esforço, basta manter olhos e ouvidos abertos e, voilá, eis o tema para mais um texto. Um livro do Drummond de 1974 já avisava que de notícias e não noticias faz a crônica.

Essa semana, lendo uma matéria sobre línguas que ainda são faladas por minorias, no Brasil, eu descobri que Cafundó existe.

E eu que sempre achei que era só uma expressão para designar qualquer lugar que fosse muito longe. No dicionário Cafundó significa local de difícil acesso. Significa também também "Deus me livre", fim de mundo. A origem da palavra é indígena (eu achava que fosse africana), caa em tupi quer dizer mato. Era o fundo do mato, para onde os escravos fugiam

Mas, apesar de ser difícil chegar a Cafundó, a localidade fica muito mais perto do que eu poderia imaginar fica num bairro da zona rural, a 14 km do município de Salto de Pirapora, distante 30 km de Sorocaba e 150 km de São Paulo. Ou seja, é aqui do lado.

Também é verdade que o acesso não é dos mais simples. Uma pequena placa na beira de uma rodovia indica a estrada de terra a seguir. Três bifurcações e seis quilômetros depois, numa estrada que acaba no centro de um vale de eucaliptos, se vê uma porteira e a placa "Cafundó".

É verdade que é um local fadado à extinção. Na comunidade de Cafundó, hoje vivem não mais que 50 pessoas, basicamente duas famílias: os Caetano e os Pires Pedroso. São os últimos brasileiros que ainda falam cupópia (essa sim uma língua de origem negra com mistura de termos caipiras). A língua não surgiu no Cafundó, mas na Fazenda Caxambu em Sarapuí. Atualmente só é falada no Cafundó.

Caso você queira dar uma passada por lá, não esqueça de cupopiá com o tata Pedroso para que ele tire o avere do andaru quando surgir o cumbe do téqui e você possa ir para o injó do marrupe, desviando do respeito do ngobe.

Já o Cafundó do Judas eu não descobri onde fica.

4 comentários:

Vilma disse...

Eu ainda quero ver alguém tomar banho na soda..., se nas suas andaças você descobrir me avise, vai ser uma cena e tanto.
Acho que você é insano, porque é muito são(?) .kkkkkkk

Anônimo disse...

Pior é ver você dizer que Cafundó é aqui pertinho de casa. Estou mesmo nos cafundó do Judas.

Lou Mello disse...

O anta anônimo sou euzinho aqui.

Profe Elis disse...

E eu que sempre achei que o cafundó fosse a terrinha que eu nasci, apelidada de Marombas ( acho que ainda não tem no mapa)Devo ter me enganado, então só pode ser o Cafundó do Judas!
Abraço!