segunda-feira, 26 de maio de 2008

Conticulóides estilísticos

Trovadorismo

Janete se encantava com as canções que Manuel lhe dedicava todas as noites. Imaginava-o um ser de nobre formação e intenções. Até o dia que viu sua foto numa revista de fofocas. Não passava de um garçom na boate Jogral que plagiava descaradamente os músicos profissionais.

Humanismo

Salvatore, erudito e agnóstico, apaixonou-se por Marieta, chucra e carola. Tentou racionalizar teorizando sobre a natureza transformada pelo homem. Ela pura matéria prima e ele seu humanizador natural. Quando ela enfim cedeu aos seus desejos deixou-o de quatro uivando para a lua de tamanho prazer.

Quinhentismo

Por oceanos que ele nunca imaginou foi aventurar-se. Via-se com uma amante em cada porto e uma tatuagem em cada escala. As crises de enjôo o largaram na primeira parada do navio e voltou de ônibus para sua cidade. Nunca mais viu o mar.

Barroco

Sebastião vivia em crise de identidade. Suas convicções religiosas o impediam de publicar seus poemas excessivamente descritivos. Oscilava entre o céu e o inferno. Foi para o seminário que cria ser sua vocação. Quando estava prestes a assumir o cargo supremo da ordem foi preso por pedofilia.

Arcadismo

Tomás idealizava todas as suas namoradas, ainda que nenhuma delas fosse tão bela quanto dizia, nem tão pura quanto imaginasse. Rendeu-se finalmente aos encantos de Marília, uma zootecnista que o levou para morar na fazenda e criar porcos.

Romantismo

Antonio só confiava nos seus próprios sentimentos. Fugia de tudo que tivesse cheiro de teoria e seu egocentrismo era seu parâmetro de julgamento de todas as coisas. Achava-se um intuitivo nato fadado a sofrer e morrer de amor. Foi reprovado em todas as matérias no primeiro semestre da faculdade e reconheceu que alguma coisa ele precisava estudar.

Simbolismo

Entre as brumas vaporosas da neblina do poente, Cadu olhava o infinito. Nada fazia sentido naquela hora só a névoa esgarçada que se espalhava sobre a cidade. Uma visão serôdia da eternidade. Enquanto isso os ladrões arrombaram seu carro e fugiram com o seu notebook.

Modernismo

Mariana era uma radical. Contestava os pais, os professores e até mesmo os amigos a quem chamava de anacrônicos ou de neo-qualquer-coisa. Suas atitudes irreverentes e escandalosas lhe renderam mais desafetos que admiradores. E todas as noites chorava baixinho no travesseiro porque sonhava casar de branco, véu e grinalda.

4 comentários:

Vilma disse...

Malucos,todos malucos, mas não falo sobre mim...rs

Prof.Braulio França disse...

Não somente a Mariana com também tantas outras...

Lou Mello disse...

Por isso aderi a Anarquia.

Juliana disse...

Me conta...o que você bebe antes de escrever essas coisas?