sábado, 10 de maio de 2008

Contículo polissindético (pequeno poema em prosa)


O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.*

E sob as ondas espumantes, e sob as nuvens e os ventos, e sob as pontes e sob a ironia, e sob a ilusão do sentido nos deitamos.

Depois de chegarmos de viagem, e depois de tomarmos banho, e depois de dançarmos ao som da vitrola.

Que tocava os Penguins, e os Moonglows, e os Orioles e os Five Satins como na canção do cachorro de René e Georgette Magritte.

Por que antes nos beijamos, antes nos abraçamos, antes nos amamos, antes nos perdemos nos jardins delirantes do labirinto.

Nós que, antes nunca tivemos a glória, nunca tivemos o dinheiro, nunca tivemos o poder e nunca tivemos o perdão.

Acreditávamos na poesia, nas canções, na filosofia e não acreditavámos um no outro.

Sem crer partimos pelos mares, pelos desertos, pelas campinas, por dentro de nós.

No aconchego do claustro, na paciência e no sossego.Trabalhe, e teima, e lima, e sofre, e sua!**


Polissíndeto é o emprego repetivo da conjunção entre as orações de um periodo ou entre os termos de oração.

*Machado de Assis
**Olavo Bilac

2 comentários:

Juliana disse...

Atacando de Baudelaire? Il faut être toujours ivre.

Vilma disse...

Quanta aventura! embora não acreditassem um no outro, acreditavam na vida.