segunda-feira, 12 de abril de 2010

Amando na chuva

Não passava das 4 da tarde quando o dia se transformou em noite. A chuva veio e veio forte. Muito forte.

De um lado da rua, Cristina se abrigou debaixo do toldo da padaria. Do outro lado da rua Sérgio tentou se proteger no ponto de ônibus.

Separados pela tempestade. Pelos pedregulhos de granizo. Pela violência da enxurrada.

Por um tempo ainda se contiveram. Até que Cristina não aguentou mais e, surpreendendo as pessoas de um lado e do outro da rua, gritou:

"- Na tormenta eu me apaixono!"

Sérgio abriu o sorriso e a boca, respondendo:

"- Vou remover todas as pedras que tentam obstruir nosso caminho!"

Nem mesmo o barulho do vento e da chuva abafava os gritos dos dois

"- Ensopada, eu te amo!"

"- Me deixo levar por uma enxurrada de felicidade!"

"- Te desejo na convulsão das águas!"

"- Me alago do seu amor que me dá vida!"

"- Afogo o meu passado nas bocas de lobo!"

"- Me lanço pela cachoeira ao encontro do meu destino: você!"

"- Em cada gota de chuva eu te beijo!"

"- Juntos desvendamos os mistérios desse mar!"

E antes que Cristina dissesse a próxima frase ele meteu o pé na água, atravessou a rua e a beijou.

Dos dois lados da rua as pessoas aplaudiam e pediam bis.

5 comentários:

Vilma Mello disse...

Um romance molhado...

Beijos

Rubinho Osório disse...

Meus olhos marejaram...

clau disse...

E eu pensando que me bastava o meu indispensavel guarda chuva, que carrego sempre na minha bolsa...!
Bjs!

Bel disse...

Hoje é o dia mundial do beijo. E beijo na chuva é o que há!!!

Fábio Adiron disse...

Vilma e Rubinho: completamente encharcados...

Clau: guarda chuva aqui só atrapalha

Bel: concordo Bel, é o que há