sábado, 13 de dezembro de 2008

Sexta-feira 13


Tudo bem, eu sei que hoje é sábado e não sexta-feira, mas a data a que me refiro caiu numa sexta-feira e não poderia ser mais sombria que o mito das sextas-feiras 13 de terror.

Há 40 anos, na calada da noite, o presidente Costa e Silva assinou o Ato Institucional nº 5, que deu a ele poderes absolutos e suspendeu garantias constitucionais. O Congresso Nacional foi fechado por que se recusava permitir que o Deputado Márcio Moreira Alves fosse processado.

O marechal Costa e Silva, no rádio do carro que o conduzia do aeroporto ao Palácio Laranjeiras, ouviu, atônito, a notícia da votação na Câmara. No palácio, trancafiou-se em companhia dos generais Garrastazu Médici, chefe do Serviço Nacional de Informações; Orlando Geisel, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; e Lyra Tavares, ministro do Exército. Estava convocada para o dia seguinte importante reunião do Conselho de Segurança Nacional.

Ela marcaria o fim da “crise dos 100 dias” e o início do “ano zero da revolução”.

O que aconteceu dai em diante todos sabemos. Os que não sabem deveriam se informar, para entender o que significa estar debaixo de uma ditadura. Perseguições, mortes, desaparecimentos. Desrespeito aos direitos humanos, tortura, prisões arbitrárias e uma folia de cassações de direitos políticos de todas as pessoas que minimamente se opusessem ao regime.

Até mesmo a mídia conservadora de direita foi objeto de censura.

Somente 10 anos depois que o Ato 5 foi revogado, mas só depois que o governo cassou todas as pessoas que lhe convinham.

Triste é saber que ainda hoje temos pessoas saudosas desse tipo de governo.

Nesse sábado 13, não temos nada a comemorar. Exceto que vivemos em tempos bem melhores que aqueles.

3 comentários:

Claudia Grabois disse...

Temos ainda a cobrar:
que todos os arquivos sejam abertos e todos os torturadores responsabilizados.

Vilma disse...

Em tempos de "tô nem aí" sufocando o "ainda estamos aqui"

Bom dia, e bons tempos!

Arimar disse...

Fábio.
Como dizia o Alex Pollari:"... ainda espero os amigos, que até hoje em sonhos eu procuro..."
Não é para comemorar, mas para lembrar, sim. Para que nunca mais nos arranquem de nossas casas, nunca mais queimem nossos livros, que não tenhamos de fugir de nosso país na calada da noite.Fomos excluídos não apenas de nossos ideais, mas de nossos sonhos,de nossa cultura,de nossa dignidade.Mas, como diz a música: "Estamos vivos de teimosos", e mais ainda: lutamos e lutaremos sempre, nem que seja "para deitar a sombra de uma palmeira que já não há, colher a flor que já não dá "...
Beijos de quem foi e voltou a tempo.