terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Saudades do Caudas Aulete*

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

(Manuel Bandeira)

Sinhama se contorcia com sua hiperestesia. Entre um iridocinésia e um antorismo até mesmo o triságio a trateava.

A família temia por sua alodialidade.

Chamaram o polímata que chegou numa reda cheia de rizes.

Este logo questionou se a situação era semelincidente ou se chegava a teteté. Constatou que o mal não provocava eupnéias. Por epagoge supôs um inoma sinistrogírico.

Pegou o cibório ao lado da cama e lançou nele tufos de coerana e ásaro, além de uma pitada de melanocerita.

Inseriu a mistura por uma rímula, como quem executava uma epêntese. Mandou alimentá-la com cibos e apterigianos que trazia em sua fáretra.

Nada funcionou.

Mandou chamar os tamaracá para executar a zarzuela. Tudo que restava era o encomendamento.

*Francisco Júlio de Caldas Aulete (Lisboa, 1826 — Lisboa, 23 de Maio de 1878) foi um professor, lexicógrafo e político português, autor de diversos livros didáticos e iniciador do Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa cuja primeira edição apareceu em 1881.

3 comentários:

Vilma disse...

O que é isso???? vou me embora para Passargada,lá tem tudo, deve ter tradutor...

Bom dia! (simples assim)

Rubinho Osório disse...

Preciso parar de visitar blogues estrangeiros... cada língua estranha!!!
Ah! Tenho saudades do meu Caudas Aulete também!!! Mas, aí, acho que é mais saudade da infância mesmo...

Juliana disse...

Eu não sei com o que você dorme, mas jamais admitiria um cibório ao meu lado.