quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O ralo


O ralo é um buraco escuro ,feio e fedido que fica no fundo da pia. Geralmente é usado como referência pejorativa : "algo foi pelo ralo", "fulano entrou pelo cano (depois do ralo)" e, mesmo nas artes, o cheiro de ralo não era exatamente elogioso (por melhor que fosse o filme).

O que poucos sabem é a origem histórica dos ralos, os melhores amigos das torneiras e das pias, cuja função é escorrer a água para dentro das fossas e dos esgotos.

As primeiras referências sobre o ralo datam dos tempos das termas romanas. A idéia de algum tipo de coletor de água suja surgiu entre os escravos que tinham de carregar a água usada nos banhos em baldes de água até os esgotodutos romanos. Além de cansativa, essa prática provocava a deterioração gradativa das narinas.

O mecanismo ainda não tinha sido criado quando a queda do império romano do ocidente interrompeu bruscamente os desenvolvimento tecnológico. Nessa época, Ovídio já questionava : "ralidae tradis ovile lupae?", se bem que alguns do seus detratores achavam que sendo ovídio apenas se preocupava em causa própria.

Considerada como uma idéia herética na Idade Média (o procedimento de recolhimento de esgotos servia como uma forma de indulgência), a pesquisa formal só foi retomada durante iluminismo.

Os primeiros ralos eram feitos de cerâmica e continham furos imensos, que colocavam em risco quem deles se aproximasse demais. Data desse período a expressão "jogar fora o bebê com a água do banho", uma vez que, dependendo do tamnho do bebê ele poderia realmente sair pelo ralo.

Mas o maior problema nem eram os furos. Mas as inundações caseiras, uma vez que o ralo foi inventado alguns anos antes do encanamento de esgoto, ou seja, a água lançada no ralo regurgitava de volta ao ambiente de onde fora lançada.

Até quando Joanin de Ampesser, um engenheiro da baixa Saxônia se lembrou da teoria dos vasos comunicantes e dos líquidos imiscíveis, criando a primeira tubulação de escoamento de esgotos em 1526.

A partir daí, o ralo alcançou um desenvolvimento tecnológico avançadíssimo. Da cerâmica foram ao ferro, desse ao aço, às ligas nobres e já se discute a possibilidade de produzirem-se ralos de silicone que possam além de escoar água e detritos, também eliminem bits e bytes.

Todos os ralos,a partir daí, sirvam eles a banheiros, cozinha, área de serviço, ou mesmo a terraços, passaram a ter um sistema de proteção que evita que detritos maiores caiam em seu interior, entupindo-os com material mais grosso. Esta proteção é feita por grelhas de metal ou plástico e por um sistema de sifão, instalado em seu interior.

O que não significa que ralos não continuem entupindo continuamente, o que nos leva, muitas vezes, de volta ao questionamento dos escravos romanos : "De duobus malis, minus est deligendum ?"

6 comentários:

Vilma disse...

Nunca tente decifrar um ralo, principalmente se tiver tempo apenas para o banho...

Rubinho Osório disse...

E com isso, 5 minutos foram para o ralo!!!

bete disse...

Pô Rubinho, você lê devagar...

Fábio Adiron disse...

Vilma : decifra-me...hahaha

Rubinho: para onde vai o esgoto do tempo ?

neli araujo disse...

Fábio, eu achei o filme "O Cheiro do Ralo" um porre. Só fiquei até o fim, porque queria ver como acabaria...
Gostei do post! Nunca havia entrado "de cabeça" no ralo assim como você entrou, hehehe
Um abraço,
neli

clau disse...

Este assunto, mm que nao pareça, é muito interessante, pq os ralos e vasos sanitarios tem um desenvolvimento ao minimo curiosissimo.
E pensar que nas termas romanas existia uma canaleta longa, em marmore, onde corria constantemente um fluxo de agua que terminava atraves de um ralo, nas descargas de esgotos.
Os patrizios se sentavam nela, lado a lado, e se utilizavam de uma esponja marinha para se limpar.
De uma maneira bem melhor do que um banho ao nascer e o outro apos morrer da idade média...
Coisas da igreja catolica.
Bjs!