domingo, 14 de março de 2010

Olhos abertos

Caligo pousou na pedra pequena e observou o grupo de casas que estava à sua frente.

O perfume de baunilha sempre a atraía àquelas paragens.

Seus olhos arregalados e brilhantes costumavam atrair predadores, era melhor evitá-los.

Refugiou-se na oficina da igreja de onde vinha o aroma, pousando em uma tela.

Ouviu o pio de uma coruja e suas asas tremeram de uma forma incomum.

Ela estava logo acima de Caligo. Temeu um ataque, mas não conseguia se mover.

A coruja olhou as asas da borboleta e nelas viu o seu reflexo.

Não eram da mesma espécie, mas tinham grandes afinidades.

Percebendo que ela estava assustada, protegeu-a sob suas asas.

Tomou-a delicadamente pelo bico e colocou Caligo no seu ninho.

Desde então, quatro olhos atentos habitam a cornija.

Eternas companheiras.

5 comentários:

Arimar disse...

Fábio.
Magia, leveza, harmonia, cumplicidade.... Que lindo texto!!!!
Vou iniciar a segunda-feira com mais esperanças.
Abraços.
Arimar

Elis Zampieri disse...

Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. (E amigos)
Com um beijo, Elis.

Vilma Mello disse...

Muito delicado...

Beijo de segunda feira

Lucila disse...

Caligo aprendeu o significado de proteção e a coruja, o significado de delicadeza. Para o resto das vidas. Isso ningém apaga. Maravilhoso o texto.
Beijos

Fábio Adiron disse...

Arimar: nunca deixe a esperança

Elis: os amigos garantem a coragem

Vilma: a vida deveria ser assim

Lu: Caligo aprendeu sobre a proteção, acho que a coruja já sabia a respeito da delicadeza.