domingo, 19 de setembro de 2010

Em busca de Kalsahad

No deserto da Mauritânia existe uma caverna escondida em meio às dunas do Saara, em algum ponto entre Atar e Tidjikdja. Ninguém nunca souber precisar exatamente a sua localização.

É a morada de Kalsahad, a serpente que salva ou destrói homens que se perdem no deserto. Ao encontrar um viajante perdido ela imediatamente o ataca e inocula o seu veneno. A salvação depende apenas da obediência a ordem do réptil: jamais revelar nada a respeito dela.

Após a mordida, Kalsahad conduz a pessoa à fonte de água da sua caverna e, em seguida guia o viajante até a saída do deserto. Caso algum deles tente contar a história para outro ser humano, o veneno age imediatamente e, em segundos, a pessoa morre asfixiada.

A história da Kalsahad só foi revelada ao mundo quando Timothy Karsten morreu e, entre os seus escritos, foi encontrado o relato de sua passagem pelo deserto, num envelope lacrado dentro do seu cofre, com a recomendação de que quem achasse aquele texto deveria mantê-lo em segredo, sob o risco de ser vítima da maldição.

Carl Schneider, seu assistente e inventariante, entendeu que a vingança de serpente só poderia acontecer naqueles em que ela tivesse inoculado seu veneno e, no dia seguinte, levou a história para Thomas Yale, o editor da revista da sociedade naturalista britânica que, encantado com a descoberta resolveu publicá-la.

A revista ainda não tinha chegado aos seus leitores quando os jornais anunciaram a súbita morte de Schneider. Aparentemente provocada por problemas respiratórios durante uma das suas sessões de sauna finlandesa. Na volta das cerimônias fúnebres, o carro de Yale se desgovernou sobre uma das pontes do Avon e ele morreu afogado, preso dentro do carro.

A revista começou a circular sem que ninguém mais soubesse da origem do texto. E, um a um, os membros da sociedade naturalista começaram a morrer. Nem os melhores detetives da Scotland Yard conseguiram desvendar o mistério da sequência de mortes.

Com o tempo e com as mortes dos seus leitores, os exemplares da revista que continham a história de Kalsahad foram desaparecendo e apenas três deles sobreviveram empoeirados em fundos das bibliotecas de Trowbridge, Macclesfield e Stromness.

Foi justamente durante a minha última visita a Stromness, quando pesquisava a fecundação das tilápias de Loch of Stenness que, numa tarde de nevasca, me refugiei na biblioteca de Outertown Road e, nada tendo o que fazer, comecei a folhear os exemplares antigos da revista da sociedade naturalista e encontrei o relato de Karsten e, dentro da revista os recortes dos anúncios fúnebres de quase todos os membros da sociedade.

Não consegui identificar se o proprietário original da revista tinha sido um dos últimos a morrer ou se, ao perceber seu risco, manteve a publicação escondida. Sei que mudei todo o foco da minha investigação e parti dias depois para a Mauritânia para estudar as víboras do deserto.

Nesse momento escrevo de Jraif, amanhã começo minha caminhada pelo deserto em busca da mítica serpente. Caso vocês não tenham notícias minhas nos próximos meses lembre-se de não encaminhar essa mensagem para ninguém e notifiquem as bibliotecas para que queimem as revistas remanescentes.

Archibald Yorestavish, PhD.

7 comentários:

Raquel disse...

só pra constar:eu não li nada....

Vilma A. de Mello disse...

Marquei uma reunião com Mr Google para às 10:00, depois dela vou pensar se volto para comentar

Beijos de domingo... sem veneno

Bel disse...

Agora lascou... mas eu também não li.

Arimar disse...

Fábio.
Por via das dúvidas, minha coleção de discos de vinil ficam para você.
Beijos.

clau disse...

Que o Lawrence das Arabias siga junto com ele!rss
Bjs!

Vilma A. de Mello disse...

Ok! vc venceu tilápia frita!!!

Taty disse...

Não sei porque, mas me lembrei dos livros sobre a série Duna, será por causa da minhoca que era guardiã das especiarias?