sábado, 18 de outubro de 2008

Topografia onírica

O relevo do caminho era suave, até tedioso para um alpinista como ele, o que não o impedia de continuar.

Via a montanha no final da planície que parecia nunca se acabar, mas não se importava se chegaria tarde ou não. Para isso estava lá.

Como partira sem nenhum planejamento, não sabia bem o que iria encontrar. À distância ela parecia inacessível, ainda mais sabendo que tinha saído sem seu equipamento.

Conforme se aproximou descobriu que era pequena, mas não sem mistérios e perigos. Ela estava diante dele, finalmente. No entanto, ele não conseguia enxergar qual trilha deveria seguir, todas lhe pareciam perigosas.

Havia clima no ar de reverência mútua.

Como se a montanha estive constrangida em ser escalada. Como se ele temesse perdê-la, logo agora que havia chegado a seus pés.

Ele não era seu primeiro alpinista, nem ela a sua primeira montanha. Ele não era o mais valente, nem ela a mais difícil.

Pareciam trocar olhares.

Por mais que se imaginasse em seu topo, ele não conseguia ver o caminho.

Sentiu um tremor. Era o chão que se mexia. Em meio às árvores que balançavam viu a senda que buscava, como se a montanha mesmo lhe mostrasse o caminho.

Embrenhou-se por ela, como um amante se entrega à sua amada.

Do começo ao fim.

4 comentários:

Vilma disse...

Assustadoramente lindo!

A montanha deve estar lisonjeada.

Fosse eu, ficaria.

Um beijo

Vilma

Mariazinha_ disse...

assim da vontade de ser uma montanha... eu seria uma montanha feliz.
beijo, Fabio.

clau disse...

Como uma espécie assim de tatica, este olhar assim fantasioso, frente a um desafio, pode tornar mais ameno ter que enfrenta-lo...
Bjs!

Juliana disse...

Lembre do conselho de A noviça Rebelde : Climb ev´ry mountain.