terça-feira, 1 de julho de 2008

Pinheiro, pinha, pinhão


Uma das descobertas das crianças na nossa viagem recente a Campos do Jordão foram os pinhões. Estavam em todos os cantos, pelos gramados, pelas estradas, no teto do chalé... e o mais impressionantemente - era vendido por ambulantes na beira da estrada (quem é que precisava pagar por eles se era só ir catando pelo caminho?)

Quando souberam que aquilo era comestível resolveram colher, ou seja, voltamos para São Paulo com quase um quilo de pinhões.

O pinhão é a semente (e não o fruto) do pinheiro que se forma dentro da pinha. Nos meses de maio e junho, no tardar do outono as pinhas das araucárias estouram ao sol do meio-dia, possivelmente como reflexo da dilatação havida depois de uma noite e manhã fria.

Além do ser humano (descobrimos que era comestível com os índios guaranis) e quase todos os animais se alimentarem desse pinhão, o serelepe e a gralha azul costumam conduzi-los a grandes distâncias e armazená-los, o que fazem enterrando grande quantidade de pinhões no solo os quais, sendo depois esquecidos acabam gerando novas árvores.



Eu já vi receita de molho de pinhão com cream cheese para colocar em filé mignon (pareceu interessante, quem sabe na minha próxima ida a Campos eu colha mais) e existem dezenas de receitas, especialmente paranaenses (paçoca, farofa, torta, pinhão com lombo...), mas em toda região sul o pinhão faz sucesso, em Lages (SC) tem uma festa especial para essa semente.

Do ponto de vista nutritivo, é um grande fornecedor de proteínas.

Como se tratava de uma novidade, ficamos na receita básica, ou seja : pinhão com pinhão.

Veja como é complexa : lave cerca de um quilo de pinhões (na casca, é claro). Coloque em uma panela de pressão 1 litro de água e 4 colheres de sopa sal. Misture e acrescente os pinhões, tampe e leve ao fogo. Tão logo consiga pressão, abaixe o fogo e cozinhe por 40 minutos. Escorra os pinhões e sirva.

Se você tiver preguiça de descascar, passe em qualquer lojinha de artesanato de Campos e compre um descascador super sofisticado (um madeira furada onde se coloca o pinhão e, com uma alavanca, espreme-se o bichinho e solta-se a casca).

Ah...e antes que eu me esqueça, o pinoli não é um derivado do pinhão, mas um outra variedade, encontrada no mediterrâneo e essencial para se preparar um bom pesto genovese e vários outros pratos árabes (onde é chamado de snobar).

8 comentários:

Vilma disse...

O pinhão é comida típica da região sul do Paraná, temos à vontade nos supermercados, para descascar fácil, aí vai a dica: depois de cozido morda a parte debaixo aquela mais gordinha que a castanha sobe pela ponta, claro que cada um morde o que vai comer rs. Um abraço.
Vilma

Leãdro Wojak disse...

bom mesmo é sapecá-lo na chapa de um fogão à lenha ou nas próprias grimpas do pinheiro. :)

malmal disse...

Papys ensinou a cortar a pontinha antes de cozinhar pra "pegar" sal...vou cozinhar sem cortar pra ver se dá diferença...
Mentira deslavada, vou ligar e pedir
pra papys fazer hahahaha

bijok

clau disse...

...descascador de pinhao: uau!!
Adoro estas facilidades...!
Se bem que tb iria bem um negocio destes para tirar as nozes de dentro de seus frutos, que parecem um abacatinho. Pq as unhas e a pele ficam manchadas até trocar por novas...
E os pinolis, bem...estes a gente colhe nas praças, por aqui. E é bom fazer isto pq, e eu nem saberia explicar, custam caro de tudo...
Bjs!

Profe Elis disse...

Concordo com o colega, uma sapecada de pinhão na grimpa é tudo de bom...mas para quem quiser optar por uma receita mais sofisticada, além das já citadas, tem o arroz com pinhão, uma mistura destes com bacon, linguiça toscana, uva passa, azeitona e tempero à gosto. Humm!!!!! chama os cachorros!
Abraços!

Taty disse...

Nos meus áureos tempos de Visconde de Mauá, adorava andar descalça no gramado da casa, junto com a minha irmã, meu ex-cunhado e minhas sobrinhas ( uma delas agregada ao meu coração pelo resto da minha vida ) e catar pinhões. Eu trazia kilos e kilos de pinhões pra SP e fazia saladas, sopa, arroz com pinhão e inventava + receitas e certa vez decidi que seria um bom negócio vender alguns na feira, mas só ficou na idéia.
Há um festival do pinhão em Visconde de Mauá, certa vez uma amiga da familia ganhou o 1º premio, um doce feito com masas folhada. Hoje em dia este festival está tão sofisticado que os jurados são grandes chef de cuisine.
Mas nada como andar descalça na grama e catar pinhões e os restos da pinhas pra acender a lareira de noite....e no verão catar jaboticaba, 2 pra cesta e 5 pra boca, amora e morangos silvestres.....ah bons tempos que um dia ainda voltarão e o que é bom fica na memória do coração!

Mariazinha_ disse...

Que lindo isssssso, que lindo ver as crianças juntando os pinhões Fabio. ADOREI!
Quando fui a Joaçaba há alguns meses, vi muitos pés mas não tinham ainda pinhões. Eu adoro comer e vou mesmo com a boca, mordo como a Vilma falou ou então parto no meio com a faca, pois as vezes o pinhão está estragado e ai só na boca que se percebe o gosto...
Adorei.
Beijos.

Anônimo disse...

Oi Fábio! Vim procurar por pinha: encontrei seu blog, com um perfil que adorei,fotos de crianças interessadas (tinham que ser tricolores...rs), curiosidades e então fui ficando, apreciando, aprendendo e deixo, agora um abraço. A pinha que procurava era outra, mas valeu vir aqui!