sexta-feira, 18 de julho de 2008

Contículo arcaico

Sob a inspiração das narrativas dos romances populares portugueses dos séculos X a XVI, Guilherme de Almeida publicou em 1957 um livrinho de poemas chamado "Pequeno Romanceiro" (meu exemplar é da 1a edição - exemplar 815 de um total de 1200 impressos - Livraria Martins Editora, impresso nas Oficinas de Artes Gráficas Bisordi), além dos poemas serem muito bons, ele faz um exercício filológico arcaizante, restaurando vocábulos caducos e belos. Aqui segue o meu exercício insano de brincar com algumas dessas preciosidades.

Debaixo do alfabar de lhama, Inês e Afonso sembravam amantes esguardando as nuvens. Afonso filhava as mãos de alambre.

Inês, de bofé, algumas vezes alongava, outras voltava sua companha mitigando as coitas.

Mestre da altanaria, ele soltara seu francelho que num rauso a buscara quando mal aluzecia. De praz e grado ela que rondava alhur levou-se e se deixou colgadiça em seus braços. Nenhum outro al lha seduzia como ele.

Um dia a mala-aventura, sem doo, interrompeu o amor e recobrou o chanto. Ele não mais aficava nos dons de Inês e leixou-se dela, trebelhando sôbola a dama esmorida.

Ela, catando pelas frestas esperando sobressinais ou o luzir das brafoneiras. esperava por aquel que a amava sobre o eixamete. Nada aveo.

Des assentou-se na seeda de guarnacha e se cumpriu de rem, nem um tal se aproximava. Sobre rengos e balaos correram as lágrimas mentres o sangue derramado.

arcaísmo: consiste na utilização de palavras que já caíram em desuso.

4 comentários:

Vilma disse...

Você deve ser muito bom nisso caso contrário ficaria perdido se pedisse para o world corrigir, se bem que tanto faz, acho que pouca gente tem cacife para corrigir isso ou até mesmo entender, eu não tenho...

Vilma, passando a vez.

Profe Elis disse...

Vossa mercê foi fundo, no fundo do baú. Pior que nem tradução é possível fazer! Abraços!

Taty disse...

Que texto, afe! Depois de ter lido isto, é hora de cair na cama e deixar o meu corpo em desuso.
Beijos

Juliana disse...

Depois de emorir a sôbola dama, o que foi que você fez com a dita cuja?