segunda-feira, 28 de julho de 2008

Mostro a cobra e não mato nada

Eu nunca fiz o gênero aventureiro. Pelo menos não daqueles que saem desbravando territórios perigosos ou me metendo em aventuras radicais.

Na minha infância não chegava a fugir das brincadeiras mais arriscadas, mas também não liderava nenhuma delas. Pulei muros, entrei em matagais, escalei telhados e forros de casas. Mas era apenas mais um na turma.

Minha fase mais radical, com certeza, foi a do exército. Até hoje olho algumas fotos de exercícios e tento me lembrar como é que eu fiz aquelas coisas (sim, eu sei, manda quem pode e obedece quem tem juízo...e eu tinha juízo). Escalei paredões, fiz rappel, me pendurei em cordas sobre lagos enquanto um sádico tenente ficava jogando granadas de efeito moral na água (aquelas que não soltam estilhaços mas provocam fortes deslocamentos de ar) até a gente cair, me enfiei em túneis cheios de gás lacrimogêneo e desarmei minas e explosivos várias vezes.

Depois desse tempo, nunca mais fiz essas besteiras.

É verdade que eu sempre gostei de passeios, digamos, diferentes, mas dentro de uma certa dose de civilidade. Andar de barco pelo Tocantins (e estou falando de toque-toque, não de lanchas chiques), montar em búfalos em Marajó, caçar jacarés no Paranapanema (não xinguem, eram tempos pouco ecológicos, e a carne do jacaré era uma delícia).

Também gosto de maltratar meus carros. Nunca tive jipes ou esses 4x4 moderninhos, mas já me meti em vários buracos. Acho que o mais fundo foi o do canyon da Fortaleza com um pobre Kadett que tinha menos de 6 meses de vida.

Até ter filhos. Isso sim uma aventura radical.

Não que eu precise fazer demonstrações de heroísmo, mas eles precisam de alguém que os acompanhe em algumas das aventuras, pelo menos por enquanto. Entro em cavernas, faço trilhas à cavalo e até vou junto na tirolesa.

E, claro, dei de brincar com uns bichinhos. O mais recente é esse aí da foto. Não se preocupem, é apenas uma jibóia (Boa constrictor constrictor), não é venenosa, apenas aperta um pouquinho e, no caso desta, raspava um pouco pois estava trocando de pele, que estava bem áspera. Nem chega ao tamanho de uma sucuri. A brincadeira também incluiu uma iguana, um sapo, uma rã e outros seres menos assustadores.

Não matei a cobra. Por isso só mostro a foto.

4 comentários:

Lucila disse...

O desagradável em seres como esses é que são gelados! Meio esquisito... prefiro os "quentinhos"!!! rsrsrs

Beijo

Vilma disse...

Gosto de mato também, já participei de alguns ralyes,de willys mesmo, nada de jeeps moderninhos (que graça tem ir para o mato num carro com ar condicionado E janelas fechadas para não se sujar?),cobras já vi aos montes desde a coral falsa até cascavéis nos tocos das árvores, mas passei longe... em se tratando de cobra, prefiro cada um na sua...

Juliana disse...

Que mata a cobra mostra o pau. Quem não mata faz o que?

Sheyla Dutra disse...

Minha experiencia com o perigo é um pouco diferente, pois sempre fui meio louca, mentora intelectual de todas as besteiras que faz um jovem, mas depois que tive meu primeiro filho, fiquei medrosa de tudo, pois, como voce falou, essa sim é a maior das aventuras. Adorei, continue assim, aventureiro ajuizado