terça-feira, 29 de julho de 2008

Cozinha de fazenda

A culinária brasileira é tão variada quanto a própria diversidade do País. A mistura de influências regionais e estrangeiras, pratos, maneiras de preparo, aromas e paladares é brutal ou seja, há todo o tipo de cozinha, para todos os gostos. Dentre esta grande diversidade culinária, existe a que é conhecida como cozinha de fazenda, do interior ou rural. Mesmo assim, não podemos afirmar que é um tipo único de culinária, com determinados pratos, pois a grande extensão do Brasil produz grandes variedades dentro de vários temas.

Ao contrário do que se possa imaginar, a cozinha de fazenda não é tão simples quanto parece. Ainda que os pratos, algumas vezes, sejam limitados quanto à quantidade de ingredientes, a produção de cada um deles envolve uma série de truques e segredos que só são passados como segredos de uma geração para outra. Fazer uma mandioca frita pode soar banal - descascar, cozinhar, fritar - mas como é que se chega naquele ponto em que cada pedaço está crocante por fora e macio por dentro ? Além disso, alguns resultados, acredito, só conseguem ser obtidos com o bom e velho fogão de lenha.

As receitas preparadas nas diversas regiões do Brasil variam, mas existem alguns pratos de fama nacional, como as tradicionais feijoadas mineiras, farofas preparadas de muitas maneiras diferentes, o tutu de feijão, arroz carreteiro, o churrasco gaúcho, etc. Não podemos deixar de mencionar os mais deliciosos doces feitos no interior, como o doce de leite, a goiabada, marmelada, pães doces, pudins de leite, de pão, além dos queijos deliciosos feitos artesanalmente nas fazendas e sítios e muito mais.

Passei alguns dias na Fazenda Capoava que fica entre Cabreúva e Itu. Cada refeição era uma boa surpresa, fosse de pratos tipicamente interioranos (o leitão pururuca merecia ser comido de joelhos), fosse de algumas invenções do chef usando os ingredientes caipiras (como um carpaccio de manga com um molho a base de aceto balsâmico). Não cai de boca nos doces, porque não são o meu forte, mas tenho de admitir que o doce de figo verde me lembrou o da minha avó.

A carta de vinhos do hotel só tem produtos nacionais. Escolhidos a dedo. Bebi o Malbec e o Cabernet Sauvignon do Don Laurindo. Minha última experiência com um vinho nacional desconhecido foi desastrosa (depois eu conto) e achei melhor não estragar meus jantares.

Mas nem tudo é perfeito. Achei o pão de queijo muito salgado (e estava salgado todos os dias, ou seja, não foi um erro extemporâneo), a cocada estava quase líquida e doce demais (ou, como diria a minha mesma avó : "como assim, você quer um doce que não seja muito doce ?!?")

Outro fato que constatei, reforçando minhas convicções vigostkyanas, é de que se você é bom em alguma coisa, não invente moda. Um almoço foi dedicado a massas (tirando um bom capeletti ao molho de alho poró, o restante estava apenas medíocre) e um jantar teve como tema a culinária árabe - não sei o que foi mais difícil de engolir : a comida ou a apresentação de uma trupe de dança do ventre...

Minha conclusão é que os melhores dias para se comer no local são os dias de semana, quando a cozinha se dedica ao que de fato ela é - uma excepcional culinária de fazenda. Quando querem fazer programa para turistas...viram apenas um restaurante de turistas.

Valeu a despedida no domingo (que está na foto): leitão pururuca, pintado na brasa, farofa de milho, carne seca, mandioca e banana frita....

4 comentários:

Juliana disse...

Essa pururuca está olhando para mim.

clau disse...

Hum...relembrei os velhos tempos qdo iamos a tantos hotèis fazenda com os dois "pequenos", que vibravam com tudo que viam, faziam ou comiam.
Agora os tempos sao outros e eles, adultos, vibram por outras coisas.
Enquanto eu, por aqui, passo vontade, se quizer relembrar algo. Pq ai, ou me meto a tentar fazer eu mm, ou apelo para substitutivos validos, tais quais a boa e tradicional "porchetta, que se faz por aqui.E sò esta mereceria uma foto e um capitulo a parte!
Mas devo dizer que eu, da minha parte, comi com os olhos a foto que vc fez...!
Bjs!

Vilma disse...

Passei parte de minha infância na zona rural, sei do que vc está falando, nem sempre tínhamos essa fartura, mas era tudo muito delicioso, tem um refogado das pontas da abrobreira chamado "cambuquira" que só de lembrar me dá água na boca. Sei que inveja é pecado, mas vc fica me tentando...

Paulo Miguel disse...

Caro Fábio
Tu teve na Fazenda Capoava e num veio fazê uma visitinha? Tamo cum sodade caramba!
Comento pouco e quando faz é pra chorar.