domingo, 26 de agosto de 2007

Já não sou mais um barato


A adolescência é um período maravilhoso e pavoroso das nossas vidas. Se, de um lado, nos deparamos com uma infinitude de novidades, paixões e sentimentos, aos mesmo tempo nos frustramos com a incapacidade de colocá-las em prática da forma que as idealizamos.

Descobrimos que o mundo está cheio de coisas que desconhecíamos durante a infância. Mas também que não temos, ou nunca teremos acesso, á maioria delas. Nos apaixonamos perdidamente a cada 3 dias, e levamos um fora a cada 2 dias e meio. Os hormônios em fúria provocam acessos súbitos e repentinos com finais solitários.

Revirando meus alfarrábios desenterrei um poemeto bem idiota que eu escrevi quando tinha 17 anos, chamado Sofisticação Anti-Lírica ao qual meu amigo Paulo Ricardo subtitulou de “Leia-se : já não sou mais um barato” (você precisa ter mais de 40 anos para entender o que era ser um barato). O poema dizia o seguinte

Sou um ser cataclítico
Complexo
e burro.
Sou um sujeito incapaz
paradoxal
e tolo

Sou supinamente incogniscível
Nas horas fatais
sou estúpido.

Como eu me odeio
Quando estou
apaixonado.

Um dia a adolescência passa. Nos tornamos maduros e sensatos (sic) e acreditamos que muitas das coisas com as quais sonhávamos já tinham sido conquistadas ou, quando não, era porque tinham sido apenas sonhos fúteis e passageiros.

Aí a gente descobre que, da mesma forma que os antigos invernos tinham momentos de veranicos (sim, o aquecimento global acabou com os veranicos), nós temos, de tempos em tempos, a adolescência batendo à nossa porta. E de uma forma mais crítica que a primeira, pois chega de uma forma totalmente inesperada.

E reaparecem novidades na forma de alguém que supunhamos não existir. E nos apaixonamos de novo, como isso nunca tivesse acontecido. E os hormônios entram em fúria, com o agravante de que estavam totalmente fora de forma.

Ao contrário dos processos interrompidos, esses, nem decolam. O caos aéreo fechou todos os aeroportos. Estacionados no solo surge um novo poema que diz mais ou menos o seguinte

Sou um ser cataclítico
Complexo
e burro.
Sou um sujeito incapaz
paradoxal
e tolo

Sou supinamente incogniscível
Nas horas fatais
sou estúpido.

Como eu me odeio
Quando estou
apaixonado.

2 comentários:

Taty disse...

Talvez seja por isto que a adolescência é chamada de aborrecência.

Mas eu ainda prefiro ser adulta com pitacos de adolescente e até de vez em quando de criança do que adulto aborrecente!

O aborrecimento do adolescente acaba logo, cura-se com a paixonite, já o aborrecimento do adulto...talvez ele tenha ciúmes ou inveja de quando era adolescente e aborrecente sem culpa.

Vilma disse...

Fingir que não ouvi, dez minutos para tomar uma decisão... espinhas são combinações para uma roupa amarela ou são vulcões prontos a eclodir??? depende do tamanho dos meus dez minutos...