quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sono de princesa

Desde o primeiro olhar que trocaram Ricardo percebeu que Gabriela não era uma mulher qualquer, era uma princesa.

E não apenas uma princesa dessas que se multiplicam em reinos decadentes, era uma princesa que não existia, daquelas que nem mesmo os mais doces contos de fadas retratavam.

Isso sempre angustiou Ricardo. Ele era apenas um homem comum. Como poderia suprir as necessidades emocionais e materiais da sua amada?

O que lhe salvava a pele era o fato de sempre ter sido muito observador e, ao mesmo tempo, os olhos de Gabriela eram muito expressivos. Sempre que percebia algo procurava resolver rapidamente. Gabriela o admirava por isso. E o amava.

Um dia Ricardo tomou coragem e a pediu em casamento. Ela aceitou com uma condição: iriam a uma loja de móveis e ele escolheria a cama. Se acertasse qual cama ela escolheria, casariam em breve. Se errasse continuariam namorando até que ele a entendesse o suficiente para casar.

Na loja, Ricardo se apavorou. Excesso de modelos, de opções de tamanho, de cabeceiras, de criado mudos. E uma vendedora que não parava de falar impedindo-o de observar as reações de Gabriela.

Viu camas de extremo luxo, camas com dosséis, camas com aplicações entalhadas a mão. Até que reparou em um brilho que vinha do fundo da loja. Quase que escondida viu uma cama com uma cabeceira repleta dos olhos de Gabriela.

A vendedora disse que eram apenas cristais de vidro, nem era uma cama tão cara. Ele disse que era aquela que queria. Quando olhou para trás Gabriela tinha sumido. Saiu desesperado pelos corredores do shopping em busca da sua princesa.

Encontrou-a na joalheria. Acabara de comprar as alianças.

3 comentários:

Taty disse...

Um conto perfeito para uma tarde cinzenta e levemente chuvosa!

Elis Zampieri disse...

Ta certa ela. Meu marido ta procurando nossa cama até hoje.

Arimar disse...

Ah! Ricardo , seu grande sonhador.
Ah! Querida Gabriela, era só espelho, reflexo!
As insanidades de Fabio, são um alerta para o mundo.