sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A saga da cerzideira cacheada

Luana entrou pelo meio da mata no que parecia ser uma trilha há muito não utilizada, poucos metros depois chegou ao fim da picada. Como não tinha levado seu fiel doberman para acompanhá-la, Luana viu-se num mato sem cachorro.

Olhou para o céu buscando orientar-se pelas estrelas, mas tudo que conseguiu foi encandilar-se com o brilho do sol nos seus olhos cor de burro quando foge.

A exploradora tinha um objetivo claro: a clareira de Santa Clara, onde sabia existirem fontes de cloro clarificado que lhe permitiriam exercer sua clarividência.

Foi em frente entre jatobás e jacarandás, não poucas vezes seus longos cachos enredaram-se nas ramadas fazendo com que ela quebrasse vários galhos.

Foi abandonando alguns pertences pelo caminho à medida que este piorava, só não poderia abrir mão do seu estojo de cerzir, ítem de sobrevivência quando chegasse ao seu destino.

Horas se passaram até que chegasse sem claridade na clareira. Cansada e suja sentou-se em meio às raparigas em flor e no meio da lama. Procurou o ipê amarelo que, florido, logo apareceu. Foi até ele.

Olhou para cima e quase no seu topo estava pendurada a calça preta de Gilberto. Subiu na árvore, resgatou a calça, abriu seu estojo e cerziu a barra da perna esquerda. Pendurou-a de volta no mesmo galho onde a encontrara.

Se Gilberto, algum dia, iria buscar de volta a calça, ela não sabia mas, jamais poderia acusá-la de deixar uma tarefa inacabada.

5 comentários:

Arimar disse...

Fabio.

O que a calça estava fazendo lá?
Vou dormir pensando nisso hoje.
Beijos.
Arimar 23hs34

Anônimo disse...

...se ela sabia onde a calça estava...deve saber onde Gilberto foi parar...só de cueca.

Taty disse...

e como a calça do Gilberto foi parar lá?

Vilma A. de Mello disse...

Faria o mesmo trajeto se fosse para ver o ipê amarelo florido...

Boa noite!!!

Virginia Susana disse...

Gostei dos olhos encandilados...