domingo, 13 de fevereiro de 2011

Jabuticaba

Reinaldo achou que algo estranho estava se passando com ele quando, no meio da noite, sentiu uma vontade incontrolável de comer jabuticaba.

Reinaldo odiava jabuticaba e pensou que fosse apenas um pesadelo. Levantou, fez um café e a vontade não passou, pelo contrário, só aumentava à medida que beliscava outras frutas na geladeira.

Quando não aguentou mais vestiu-se, pegou o carro e foi para o Ceasa. Onde mais encontraria jabuticaba às 3 da manhã? Para seu desespero descobriu que não era época de jabuticaba.

Como por um passe de mágica, sua vontade mudou. Precisava urgentemente de pipoca doce. Ficou aliviado, além de ser algo que gostava, tudo que precisava era passar em um supermercado e comprar os ingredientes.

Em casa, devorou a pipoca toda que comprara e foi dormir. Acordou com dor de cabeça e náuseas. Fazia sentido depois daquela inusitada refeição noturna.

O que não fazia sentido era sentir o mesmo enjôo todos os dias que se seguiram. Definitivamente, alguma coisa estava acontecendo.

Reinaldo não era ingênuo, mas aquilo lhe parecia absurdo demais. Mesmo assim entrou em uma farmácia e comprou um teste de gravidez. Foi para casa, leu as instruções, colheu o material e esperou.

Deu positivo. Reinaldo não acreditava no que via. Foi a outra farmácia, comprou outro, de outra marca. Positivo também.

Ficou tão perplexo que não se deu conta do surrealismo da situação e sua preocupação era apenas saber em que tipo de médico deveria ir. Certamente não um ginecologista.

Quando caiu na real sua preocupação mudou. Há meses que ele não namorava, como isso poderia ter acontecido? Ligou para seu clínico geral e explicou a situação. Quando o médico percebeu que Reinaldo não estava brincando pediu para encontrá-lo no hospital.

Logo ao chegar o médico o fez repetir o teste. Positivo de novo. Fez um ultrassom e, para espanto geral, o feto estava no duodeno. Foi examinado por uma junta médica. Ao final de todos os exames pediu que seu caso fosse mantido em sigilo.

E assim foi durante os meses de gestação. Depois do 5º mês pediu demissão do emprego e disse que faria um ano sabático. Não dava mais para disfarçar a barriga, nem dizendo que era o chopp que ele não bebia.

Nas últimas semanas só saia de casa para ir ao hospital fazer o pré-natal. Juliana nasceu a termo, com mais de 3 kg. Nunca um bebê fora tão lindo.

O rosto da menina não deixava nenhuma dúvida, a mãe era Carla. Chamou-a, explicou a situação toda. Carla desmontou em lágrimas ao ver a filha, aceitou o pedido de casamento que tantas vezes Reinaldo lhe fizera no passado e nunca fora aceito.

Só um amor perfeito poderia ter gerado aquela menina.

5 comentários:

Arimar disse...

Fábio.
Linda a história do Reinaldo e da Carla.
E o Ronaldo ? Onde ficou nessa história?
Só podia dar nisso.
Bem diz o ditado: "Cuidado com quem te convida para comer jabuticaba no pé"
Beijos.

Fábio Adiron disse...

Ronaldo foi um erro de digitação já corrigido...´o que dá ficar publicando as coisas de madrugada

Arimar disse...

Fabio.
Ufa!!!! Ainda bem, já estava pensando que não devo ler quando acordo!!!!!
Beijos.

Taty disse...

Fiquei um tanto quanto "sei lá". Achei tudo muito estranho...

clau disse...

Fiquei meio perdida sem saber se o mais inusitado eram as jabuticabas fora de época ou a gravidez fora de propósito...! rss rss