terça-feira, 30 de setembro de 2008

SOS Houaiss

Tudo começou com uma tocarola.

Estavam debaixo do ajará e da baraúna e ela tinha se enroscado num atascal. Ele a resgatou, tentou primeiro com a retenida e com o retador, mas nenhum deles funcionou.

Era o tipo de sujeito com o dom da ubiedade. Rarípilo, é verdade, mas um tanto loro, o que não a impediu de ter impulsos coreométricos.

O cárus em que ela se encontrava a deixou coreofrásica, paracia estar em plena révora ou ter bebido um galão de pilóia.

Ao chegarem na cabana ele recomendou uma infusão de cômaro, ela confundiu-se e acabou preparando um chá de enanto, como se esse lhe fosse sucedâneo.

Durante as exéquias, foi enterrada em uma orreta coberta de alidores, mas também de tímios nas reiras.

Quando chegou o citatório ele caiu em uma diáfora alegando que não fôra nenhuma cangarilhada.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um jacu no planalto


Todos nós temos o nosso dia de jacú. Não sei porque as aves craciformes, muito comuns no Brasil, acabaram se tornando sinônimo de gente tosca ou xucra, talvez pela sua aparência desajeitada e seu comportamento que parece desnorteado...

O meu dia de jacú aconteceu há cerca de 10 dias quando fui convidado para o evento de assinatura do decreto que regulamentou o financiamento do Atendimento Educacional Especializado, uma norma importantíssima para a inclusão de pessoas com deficiência nas escolas comuns da rede regular.

O meu problema é que o evento estava marcado para o Palácio do Planalto e aí, a coisa pegou.

Tudo bem que teria de ir de terno. Apesar de usá-los cada vez menos, os ternos sempre fizeram parte da minha vida e, desde os 15 anos eu mesmo dou o nó nas minhas gravatas.

Brasília também não é o ambiente que me assusta. Já estive lá dezenas de vezes por razões familiares, por circunstâncias de trabalho e em reuniões em ministérios e órgãos estatais.

Mas do Planalto, o mais perto que cheguei na minha vida, foi olhá-lo do meio da praça do 3 poderes.

Comecei e me questionar. Como é que se entra no Planalto ? Certamente não é subindo a rampa e perguntando para o dragão da independência em que sala fica o presidente... Depois de entrar como é que se circula lá dentro ? será que escoltado por algum segurança ? No local do evento, como se sabe onde sentar ?

É verdade que eu não estava sozinho na minha jacuzice. Um dia antes, uma amiga de outro estado, que também iria para o evento, me ligou com dúvidas muito similares.

Encontrei a pessoa no aeroporto e pegamos um táxi para o palácio. O motorista perguntou qual entrada que usaríamos - óbvio, não fazíamos a menor idéia. Nos deixou numa entrada lateral que dava acesso à recepção do térreo. Fiquei mais tranquilo quando vi uma excursão de estudantes circulando no saguão interno, o local não era exclusivo dos poderosos.

Ninguém na recepção sabia onde seria o evento. Olhei para a minha amiga com uma cara de "pegamos o mico" - será que viemos no dia errado? Não era possível, tinha conversado com outras pessoas que também iriam no mesmo dia.

Depois de falar com três secretárias diferentes pelo telefone (inclusive a que cuida da agenda do presidente) descobrimos que o evento tinha sido transferido para o auditório do ministério da Educação...ufa, pensei, essa é uma praia que eu conheço.

O meu medo é que algum dia o convite se repita e eu não descobri a resposta para nenhuma das minhas dúvidas.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Crise semântico existencial

Eu nunca sei direito quando saio de casa e vou para a rua se estou saindo ou entrando.

Não se trata de um delírio insano como muitos podem supor, apenas uma dúvida semântico-epistemológica que me atormenta todas as vezes que eu abro a porta da rua.

Se a porta é da rua, eu não estou saindo, mas entrando. Ou será o contrário ?

Eu sei que a mesma porta de saída é a de entrada, exceto quando sinalizadas de outra forma. Mas cada um de nós, quando usa a palavra porta, tem uma percepção diferente sobre a direção do fluxo.

A minha é a de entrada. Para alguns é a serventia da casa.

Outro questionamento exegético que me aflige é o da sala de estar. Estar o que ?

Eu sempre aprendi que quem está, está alguma coisa, ou em algum lugar, ou fazendo algo.

Exceto na sala de estar onde as pessoas que usam o termo simplesmente estão. Ou será que o termo correto seria "estar na sala".

Não melhora muito em inglês, se bem que o termo é um pouco mais metafísico.
- Onde você está ? No "living"...(vivendo)

Pânico mesmo é quando eu tenho de sair diretamente da sala de estar para a porta da rua.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Trucidando analogias

Tema:

Como água para chocolate

Variações:

Pirulito que bate bate

Leite frio com abacate

Ele fala, ela rebate

Põe limão no meu tomate

Nunca a chame de biscate

Como sapato no engraxate

Pimpinela escarlate

Ele morde e também late

Isto é mesmo um disparate

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ditados, cada vez mais impopulares

O azo perpetra o meliante

Os semblantes negaceiam

A concórdia conduz à pujança

Cada estróina com seu sestro

Cada vaso subesférico se encobre do seu jeito

Presciência e sumo de galináceo não estorvam criaturas

De bago em salpico a fasianídea locupleta o bócio

Diga-me o acólito da sua marcha e eu proferirei sua essência

De salubres intentos o Hades está repleto


Se você não conhece a origem dos ditados impopulares, clique aqui

domingo, 21 de setembro de 2008

Traição perfumada

Louis Aragon (1897-1982). Dadaísta, surrealista e comunista. Abandonou os dois primeiros, nunca o último. Romancista e poeta. Concunhado de Maiakovski e eterno apaixonado por Elsa Triolet.


Lilás

Sonho e me levanto
Com o odor do lilás
De que lado do sono
Lá ou cá teu abandono

Dormia na tua memória
Enquanto me esquecia
Ou exatamente o oposto
Eu, não, você, desgosto.

Eu ressonava a te esperar
No pais em que sonhavas
Só fugia, só fingia
Tua imagem que partia

Em vida ou sonho
Tudo tem o estranho brilho
O perfume continua
A canção se perpetua

Noite clara, dia escuro
Ausente nos meus braços
Ninguém mais perdura
Sou aquele que murmura


O original é o seguinte:

Les lilas

Je rêve et je me réveille
Dans une odeur de lilas
De quel côté du sommeil
T'ai-je ici laissé ou là

Je dormais dans ta mémoire
Et tu m'oubliais tout bas
Ou c'était l'inverse histoire
Etais-je où tu n'étais pas

Je me rendors pour t'atteindre
Au pays que tu songeas
Rien n'y fait que fuir et feindre
Toi tu l'as quitté déjà

Dans la vie ou dans le songe
Tout a cet étrange éclat
Du parfum qui se prolonge
Et d'un chant qui s'envola

O claire nuit jour obscur
Mon absente entre mes bras
Et rien d'autre en moi ne dure
Que ce que tu murmuras

Outras traições podem ser lidas aqui

sábado, 20 de setembro de 2008

Por um mundo mais perfumado

Considerando que o governo tem se empenhado em garantir a saúde pública dos cidadãos em programas de prevenção o que, além de louvável, garante uma boa economia futura para o ministério da saúde (apesar de que aumenta os gastos da previdência à medida que as pessoas vivem mais).

Eu gostaria de propor um projeto de lei que cria uma nova área de restrições além dos cigarros e das bebidas - se bem que ainda não vi uma firmeza política, como a do anti-tabagismo e da lei seca, direcionada para as drogas ilegais...aceito explicações dos meus colegas insanos.

Minha sugestão é que os espaços públicos tenham áreas reservadas especialmente para os flatulentos. Nos aviões, nos restaurantes, nos escritórios poderiam ser criados flatódromos. Em espaços críticos como hospitais e comércio de alimentos os flatulantes deveriam ser proibidos de entrar.

Como é de conhecimento de todos, o flato contém milhares de substâncias tóxicas. Dependendo da refeição precedente, esse número pode chegar a dezenas de milhares.

A prática em momentos íntimos é responsável tanto pela impotência masculina como feminina. E a emissão dessas bombas de odores na frente de crianças pode levá-las a aprender pelo mau exemplo.

Um estudo recente publicado pela revista científica "The fart", comprova que flatulentos passivos estão mais sujeitos a enjôos, vômitos e acessos de tosse, além do risco de asfixia provocado pelo desespero de prender a respiração ante as emissões flatídicas.

Aspiração continuada de nitrogênio e dióxido de carbono, principais alcalóides das emissões gasosas, podem provocar problemas sociais, destruir casamentos e amizades. Nos casos em que o teor de metano e hidrogênio é alto, existe ainda o grande perigo de combustão caso algum dos circunstantes próximos ao evento resolva acender um cigarro para contrapor o cheiro.

Flatulentos geralmente tem uma dieta rica em alimentos fermentáveis. Alguns, por serem flatulentos gourmets ainda temperam sua comida com produtos que aumentam significativamente a produção flatóidica, especialmente cominho e coentro.

Os defensores do flato, alegam que a prática é um indicativo de normalidade digestiva. Essa tese tem gerado acalorados debates em congressos médicos, contrapondo gastroenterologistas de um lado e otorrinolaringologistas e pneumologistas do outro. A Organização Mundial de Saúde ainda não emitiu um parecer técnico sobre o litígio.

Acredito que o nosso governador, tão cioso dessas questões, vá se sensibilizar com a minha proposta.

Aceito apoios e sugestões de como lançar essa campanha.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Contículo hiperbólico

Clareou, correndo, até o fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente...(Fernando Pessoa)



Ana entrou em casa cuspindo fogo pela boca e falando pelos cotovelos

- Estou morrendo de sede, além do que, sou capaz de comer até explodir

- Eu já lhe disse um bilhão de vezes para não exagerar quando falar! respondeu a mãe

- Aquele ônibus demorou um século para chegar e eu comi o pão que o diabo amassou

- Minha filha, eu sei que está um frio de rachar, "mas rios te correrão os olhos se chorares"*

- Pior foi o caminho, parecia que tinha um quarteirão de perucas para atrapalhar

- É verdade, o rádio falou que a tarde explodia em chuvas de cores

- Pensei em pegar um táxi, mas ia me custar os olhos da cara

- Tudo bem, não precisa chorar lágrimas de sangue, já está em casa

- Eu estava morrendo de medo de perder a hora...

- Assim você me mata de rir, perder a hora do que ?

- Do meu banho de lua, já imaginou a hecatombe se eu perco a hora certa

- Vá dormir minha filha, que o sono lhe seja leve. Sonhe com os anjos.

hipérbole: trata-se de exagerar uma idéia com finalidade enfática.

*Olavo Bilac

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Um fim de semana simples

Há muitos anos eu passei por uma cidadezinha à beira da estrada e achei que ela tinha uma cara muito simpática. Estava voltando de Paraty (também simpática) para casa e não deu tempo nem de parar. Mas fiquei com vontade.

Na época cheguei a pesquisar algo a respeito dela, mas não surgiu a oportunidade.

Recentemente ela me voltou à lembrança, pensei em ir para lá numa das minhas curtas escapadas de Julho, mas fiquei com a impressão que as crianças não aproveitariam muito. Acabei deixando para a comemoração do meu aniversário. Seria só um final de semana, se não gostassem nem daria tempo de perceber.

É um lugar muito simples. A primeira impressão da Letícia, olhando a cidade do alto do morro, à beira da estrada, foi péssima : ´"só tem casa velha....e não tem nenhum prédio".

Chegamos à pousada em que ficamos. Também um lugar simples. Muito bonito, mas sem aquele monte de atrativos infantis. O quarto amplo, as camas confortáveis e um delicioso chá da tarde nos esperavam. Mais que isso, um casal de donos extremamente agradáveis e acolhedores. Henrique e Lilia são pessoas da nossa geração que estão na transição da vida louca dos grandes centros (ele engenheiro, ela dentista) para viverem de uma forma em que a qualidade se sobrepõe à quantidade. Recomendo.

A cidade, em plena serra do Mar, tem atrativos naturais (cachoeiras, trilhas, escaladas) e muitos outros históricos, a começar da história de João Paulino e Maria Angu. Poucos restaurantes. Nenhum deles tem chef que dê nomes bonitos para os pratos. Comida caseira com alguns pratos típicos : atolado, pururuca e bastante arroz e feijão. Nomes comuns : tempero da terra, cantinho dos amigos, empório da serra...

Passeamos na Cachoeira Grande, nas ruas de pedra da cidade, no mercado, nas ladeiras e nas escadas. Lemos bastante (todos nós) e brincamos no gramado, na rede e com a cachorra que mora na pousada.

Na hora de voltarmos as crianças quase choraram. Queriam ficar mais. Certamente vamos voltar a São Luiz do Paraitinga

domingo, 14 de setembro de 2008

Aforismos inconsequentes

Eu prezo mais meus inimigos declarados que meus simpatizantes dissimulados, pelo menos eu sei o que os primeiros realmente pensam.

Toda regra tem sua exceção. Que o diga a menopausa.

O pai o batizou de Johnson´s da Silva. Homenagem sincera à camisinha que furou.

Toda generalização é burra, a começar dessa: nem todo burro é burro.

O Brasil é um país que tem o equilíbrio perfeito dos 3 poderes. O Executivo legisla, o Legislativo investiga e julga e o Judiciário executa.

Os pés não justificam as meias, por mais que estejam no fim do corpo.

Depois das eleições entre ofensores e ofendidos, todos formam uma coalizão.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

As times goes by

No dia dos meus NÃO anos um monte de gente me cumprimentou. Também quem manda ser engraçadinho e falar que era dia de semaniversário ? De qualquer forma eu me diverti bastante.

Se no ano passado comemorei um número primo, nesse eu sou a essência dos múltiplos, virei múltiplo de 2, 3, 4, 6, 8, 12, 16 e 24. Talvez isso seja representativo das minhas diversas faces e fases.

Não tenho queixas, a vida tem sido boa e Deus tem cuidado de mim e dos meus, certamente nos dando muito mais do que merecemos.

Durante o meu aniversário não estarei em São Paulo, mesmo assim quero deixar o meu agradecimento antecipado a todos que se lembrarem de mim. Não importa se foi uma agenda eletrônica, o Orkut ou suas própria memória privilegiada. Agradeço especialmente o fato de terem gasto parte do seu tempo para me enviar uma mensagem.

Domingo eu volto no ritmo insano de sempre.

Beijos a quem é de beijos. Abraços a quem é de abraços. Ambos para quem gosta dos dois.

Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Paideuma musical brasileiro

De vez em quando eu me meto a besta de fazer paideumas. Aquelas escolhas do que eu deixaria para os meus filhos se tivesse de abandonar todo o resto. Como toda escolha, essas também são discriminatórias e subjetivas, portanto, totalmente contestáveis.

Os autores eu escolhi pelo conjunto da obra , não obrigatoriamente são os mesmos das melhores canções. Preferi não ordenar por preferência, deixei apenas a ordem alfabética. Se tivesse, dentre esses, de escolher apenas um, o autor seria Tom Jobim e a canção, Roda Viva.

Sei que as feministas me contestarão como no meu Paideuma de livros e discos mas, se do lado de intérpretes existem mulheres notáveis, entre as compositoras as escolhas são muito limitadas.

10 melhores compositores brasileiros

Chico Buarque de Hollanda
Dorival Caymmi
Edu Lobo
Gilberto Gil
João do Valle
Milton Nascimento
Noel Rosa
Paulinho da Viola
Sidney Miller
Tom Jobim

10 melhores canções

A estrada e o violeiro - Sidney Miller
Amigo é para essas coisas - Silva Jr & Blanc
A rosa - Pixinguinha
Domingo no parque - Gilberto Gil
O mar - Dorival Caymmi
Ovelha negra - Rita Lee
Parque industrial - Tomzé
Ponteio - Edu Lobo
Roda Viva - Chico Buarque
Samba de uma nota só - Tom Jobim & Newton Mendonça
Sinal Fechado - Paulinho da Viola

Paideuma é "a ordenação do conhecimento de modo que o próximo homem (ou geração) possa achar, o mais rapidamente possível, a parte viva dele e gastar um mínimo de tempo com itens obsoletos" (Ezra Pound).

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Manteiga de garrafa desencriptada

Como fazer manteiga de garrafa

Modo rústico :

Pegue uma vaca, amarre o bezerro num local fora do alcance da mesma e ameace torturá-lo à vista da mãe (esse método não é aprovado pela sociedade protetora dos animais)

Enquanto a bovina pula de raiva execute a ordenha.

O movimento frenético da criatura, automaticamente, fará com que o leite já saia em forma de manteiga.

Passe o produto do balde para garrafinhas.

Modo industrial

Resfriamento : não aceite leite resfriado, a idéia de que o vírus influenza melhora a qualidade do produto é uma lenda virtual. Só aceite leite in natura, de preferência aquele que ainda traga um certo teor de pêlo de vaca.

Padronização e pasteurização do leite : outro mito, inventado por uma francês que não tinha mais o que fazer na vida do que ficar fervendo leite. Apenas deixe o leite sossegado até que as placas de gordura comecem a se despregar do soro. Se começar a cheirar mal, melhor, a manteiga de garrafa pode ser vendida como produto premium dizendo que é manteiga gorgonzola.

O creme oriundo desse processo será recebido em tanques de estocagem. Não recomendamos tanques de lavar roupa pois costumam deixar um sabor de sabão. Tanques de gasolina podem inflamar o produto. Os melhores tanques para a estocagem, são os de guerra. Além de grandes isso evita beligerância inútil para a qual costumam ser usados.

A matéria gorda (termo totalmente inadequado, uma vez que a mesma não tem essa auto depreciação de si mesma) vai então para o processo de bateção, aquele que o bezerro foi ameaçado no processo rústico, e malaxagem.

Você não sabe o que é malaxagem ? Deixe-me tentar colocar de forma simples de compreender : malaxagem é a operação inconsútil de peroração da manteiga numa solução polissaturada de cloretos e óxidos dihidrogenados com a finalidade de quantificar os níveis de pantone e rispidez a mesma, controlando duodecis solúveis e distribuindo melhor os seus sacripantas normóticos.

Está vendo? é só explicar com palavras comuns, ao invés de usar esses sofismas serôdios.

Uma vez malaxada (não confundir com mal agachada que é o processo de fabricação do queijo ralado) basta não cair na tentação de colocar o produto na geladeira, espaço repleto de más influenzas que poderão fazer com que a manteiga solidifique-se.

Em ambos os casos, para dar uma aparência de legitimidade, coloque nas garrafas rótulos que digam que a manteiga foi trazida diretamente da feira de Caruaru.

domingo, 7 de setembro de 2008

Aula de redação

Artistas costumam ser questionados sobre quais foram as suas influências e inspirações. Especialmente quando são entrevistados para a revista Semblantes.

Os escritores sempre dizem que sua literatura é inspirada em Machado de Assis, Eça de Queiroz e João Guimarães Rosa, o que é muito mais chique do que assumir que seguem os passos de Paulo Coelho ou J.G. de Araújo Jorge. Se além de mentirosos, forem pedantes, citarão Balzac, Dostoievski, Joyce e algum autor obscuro dos balcãs (isso sempre passa uma idéia de que o autor é moderninho).

Como eu não passo de um réles escrivinhador de blog, tenho a vantagem de não precisar mentir e posso dizer que fui influenciado pelo almanaque do biotônico Fontoura, pela revista Seleções do Reader´s Digest e por uma infinidade de personagens de histórias em quadrinhos.

Além de calvinista na minha convicção religiosa, assumo o meu Calvin-ismo literário.

Para quem não lê inglês, segue abaixo a versão do meu vade mecum* literário :

Quadro 1

Eu costumava odiar trabalhos de redação, mas agora eu tenho prazer com eles.

Quadro 2

Eu percebi que o propósito de escrever é inflar idéias fracas, obscurecer o raciocínio pobre e inibir a clareza.

Quadro 3

Com um pouco de treino escrever pode se tornar uma neblina incompreensível e assustadora ! Quer ler meu relatório sobre o livro?

Quadro 4

Hobbes : A dinâmica dos imperativos monológicos e interpessoais em "João e Maria" , um estudo da transrelação psíquica nos modos de gênero

Calvin : Academia, aqui vou eu!

*agora, se você não sabe o que é vade-mecum, deixe de ser preguiçoso e procure no Google.


Para ampliar a imagem basta clicar sobre ela.

sábado, 6 de setembro de 2008

Um não contículo neológico

A gramática é um conjunto de regras que estabelecem um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão. Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são obedecidas pelo falante. Quando o falante se desvia do padrão pelo não-conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.

Aqui no Mens Insana eu já brinquei com 7 vícios de linguagem, mas concluí que o oitavo é absolutamente inviável, a saber : o neologismo.

Não que não existam exemplos suficientes para construir um texto, o problema é que eles, de forma cada vez mais veloz, estão se incorporando oficialmente à linguagem e aos dicionários e, dizem o gramáticos que uma vez dicionarizados, os termos desneologizam-se.

Qual seria a graça de inventar um jogo de bocha no Wii entre um aborrescente e um envelhescente ? Amanhã de manhã alguém leria o blogue faria um cópipeiste e o treco já estaria disponível para venda ou para ser hackeado diretamente do sáite da Amazon.

Os contículos continuarão apenas nas suas versões "figuras de linguagem", dessas ainda existem muitas a explorar.

Segundo os guardiães da norma culta neologismo é a criação desnecessária de palavras novas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A execrável antologia de Agosto

Agosto, como é de conhecimento de todos, é o mês do cachorro louco. Também costuma ser um mês desastroso para o país (Getúlio, Jânio e outros menos famosos)

A antologia desse mês é, claramente, influenciada por essas efemérides.

Aí vão as melhores frases dos comentários, insanamente descontextualizadas. Não procure o significado delas, deixe sua imaginação voar pelas possibilidades de cada uma.

...tô com câimbras na bochecha..rs!

Ainda bem que escolheram flamingos e não camaleões!!!

é óbvio que a melanina dos cabelos andam escondidas debaixo de welatons...

Tá cheio de doidões por ai que ficarão curiosos por descobrir plantinhas para incluir em suas saladas

Cicuta, por sua vez, é super natural

Lá no meu blogue a gente fazemos muitos solecismos.

Terá alguma explicação psicopropedêutica?

Longe de mim comer caranguejos e essas coisas vermelhas.

Gente doida...pronto falei!

Será que foi em gipuskoa que inventaram o gipe...

o cheiro realmente é uma coisa importantíssima!

...me dá medo sugerir isso para você

mas ela está na minha lista da bota...

Parece nome de boeing...

...posicione a letra da música a 30º do centro da concha de feijão...

Adoro estar presente no desenvolvimento de "criancinhas inteligentes".

...só podemos esperar que seja isto o fulcro da vida desta pessoa.

Vá catar Phyllantus pendulus !

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Desejo de matar: analogias

Tema : Vassoura nova é que varre bem

Variações

Cadeira nova, senta-se alguém

Tempero fresco, cheira tão bem

Adesismo dá cargo também

Briga política virou nhen-nhen-nhen

Não gosta de Obama, vota em Mcain

Só velhas bruxas, habitam Salem

Esse texto não vai nem vem