quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Novo golpe na praça

Seus amigos não acreditaram quando ele disse que estava deixando sua casa. Não que achassem que ele fosse feliz com Raquel, mas sabiam que ela nadava em dinheiro, como que Ronaldo iria perder esse boquinha, pior, de forma voluntária?

Quando casaram ninguém achou que ele estivesse aplicando o golpe do baú*, Ronaldo não era milionário mas também não era nenhum pé rapado. Raquel era proprietária de uma indústria muito bem sucedida. Quando abriu a financeira para vender seus produtos no crediário ficou mais rica. Quando um banco estrangeiro comprou a financeira e a indústria ela ganhou o suficiente para viver lautamente as próximas 31 encarnações.

Claro que Ronaldo foi beneficiário da fortuna de Raquel. Conheceu o mundo, passou a frequentar os melhores restaurantes, só viajava de primeira classe ou de aviões particulares, tinha até um helicóptero para levá-lo onde quisesse, na hora que quisesse.

Nada disso seduzia Ronaldo. Ele não aguentava mais viver cercado de seguranças armados, não tolerava o puxa saquismo nas festas, nem o assédio de quem sempre tinha um ótimo negócio para lhe propor ou vender. Além disso, depois de enriquecer, Raquel nunca mais lhe dedicara a mesma atenção e o amor de Ronaldo foi arrefecendo até acabar.

Quando os amigos perguntaram quanto ele ia levar na separação ficaram ainda mais perplexos. Ele não ia levar nada, não queria nada que o lembrasse da vida de luxo. Ia pegar a mochila que tinha desde os tempos de mocidade, colocar as roupas que coubessem nela e ia embora. Não sabia para onde, nem como. Mas era um idealista, ia em busca da felicidade.

De fato, dias depois estava em todas as colunas de fofoca dos jornais, a socialaite Raquel tinha sido abandonada pelo marido. Ninguém, nem os melhores amigos sabiam do paradeiro de Ronaldo. E ninguém nunca soube que ele tinha se instalado numa pensão num vilarejo do interior do estado, casara de novo com uma moradora local e nunca teve nada além do que coubesse na sua mochila.

Por isso, até hoje, quando se fala de golpe do baú, sempre alguém lembra que também existe o golpe da mochila, praticado por seres românticos e felizes.

*Um baú é uma caixa retangular, geralmente de madeira, com tampa convexa e coberta de couro cru. Costumam ser grandes e fundos, podendo transportar uma grande quantidade de roupas e objetos. Era muito utilizado pelos nobres nas suas viagens. Pessoas ricas tinham muito o que carregar consigo, daí a origem do termo golpe do baú, ou seja, uma pessoa que se casa com alguém muito rico, apenas interessado nas suas posses.

3 comentários:

Bel disse...

Adorei o golpe da mochila... adoraria dá-lo, não NO mas COM o meu Marido! ;)

clau disse...

Beh! E nao é que o seu Ronaldo tem razao!?
Sò que quando me aconteceu algo semelhante, e no meu caso, a minha mochila tinha mais ares de um conteiner...
Hihihi!
Bjs!

Taty disse...

Ah, o golpe da mochila foi ótimo! Dependendo do tamanho, vira um baú pra carregar nas costas! Beijos