segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O vôo da pteroposa

Quando Amanda e Leonardo viram as fotos da Vila de Tuyuyu ficaram encantados, resolveram que seria naquele local que passariam sua lua de mel.

A beleza natural era abundante e descobriram que havia uma hotel à beira do Rio Foruat a poucos metros de onde ele desaguava no mar.

O hotel era pequeno, seis cabanas espalhadas no meio da floresta, suficientemente distantes uma das outras. Lugar perfeito.

A única coisa imperfeita foi que Leonardo, no meio do caminho recebeu um telefonema chamando-o para uma cirurgia de emergência.

Ele deixou Amanda no hotel e pegou a estrada de volta.

Amanda lamentou, mas sabia que teriam duas semanas exclusivamente um para o outro, além do que, ela conhecia os riscos de casar com um neurocirurgião.

Quando estava acabando de jantar a dona do hotel veio conversar com ela. Contou a respeito da lenda da pteroposa, um imenso inseto voador que, segundo os nativos locais, tinha o dom da profecia noturna.

Disse para Amanda que nunca ninguém tinha visto tal ser mas, por via das dúvidas, era melhor dormir com as janelas fechadas.

Amanda, mulher cética e completamente avessa a qualquer superstição, ignorou completamente o conselho.

Antes de dormir falou, por telefone, com Leonardo. A cirurgia fora bem sucedida e na manhã seguinte ele estaria com ela.

Logo depois de dormir ouviu o barulho de venezianas batendo. É o vento, pensou, e nada mais.

De repente sentiu algo nos seus pés, mexeu-se e o som foi de um farfalhar de asas. É um corvo, imaginou, e nada mais.

Acendeu a luz para espantar o bicho. Não era um corvo. Nem um morcego.

Pousado na moldura de um poster de Atenas, um ser alado desconhecido olhava para ela. Parecia uma mariposa do tamanho de uma gaivota, mas não era uma coisa, nem a outra.

Como o bicho não parava de olhar ela perguntou se ele ficaria ali muito tempo.

Disse a ave: " - para sempre."

"- Como assim? Acha que a noite vai durar tanto?"

Disse a ave: " - para sempre."

Amanda ficou assustada, se a noite não acabasse, ela nunca mais veria Leonardo.

"- Mas...mas...e a minha lua de mel?"

Disse a ave: " - para sempre."

Aliviada e feliz, ela não resistiu a mais uma pergunta:

" - O amor do meu Leonardo...?

A ave sorriu maliciosamente e respondeu

" - Para sempre!"

Quando chegou na manhã seguinte, Leonardo encontrou Amanda dormindo e uma imensa mariposa na moldura do poster acima da cama.

Antes de soltar o bicho, tirou uma foto da cena. Era algo para ser guardado para sempre.

7 comentários:

Taty disse...

Descobri que as palavras "para sempre" são muito perigosas....Para sempre, beijos.

Vilma A. de Mello disse...

Para sempre é muito tempo...
No meu caso, algumas décadas, mas ainda sobrou o "nunca mais"

Bom dia!

Bel disse...

Para sempre é muito relativo...
Fico com Vinícius: "eterno... enquanto dure!"
Bjooo

clau disse...

Nossa... esta parecia um filme que a gente quer saber logo o final...!
Gostei.
Bjs!

Virginia Susana disse...

While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door...

Fábio Adiron disse...

'Tis some visitor," I muttered...

Virginia Susana disse...

Only this, and nothing more....