sábado, 11 de junho de 2011

A paixão calculada

Apesar de ter um livro de poemas ditos "eróticos" (na minha opinião, poucos o são), Carlos Drummond de Andrade escreveu um dos mais insinuantes poema da língua portuguesa, "A paixão medida", um hino de louvor à métrica grega e latina.

Eu me atrevo a provocar Drummond (desafiá-lo), através da matemática. Afinal de contas, a paixão pode ou não ser calculada?


A paixão calculada

Matemática
te amei, com ternura contínua
e gesto variável.
Tuas abcissas às minhas com força entrelacei.
Em dia logarítmico, o instinto multívoco
rompeu, radiano
a porta vetorial.
Gemido colinear entre breves tangentes.
E que mais, e que mais, no crepúsculo integral,
senão a quociente lembrança
de trigonométrica, da algébrica, incalculável delícia?

4 comentários:

Roberto de Avillez disse...

Quero ver grafar o poema. Legal.

Fábio Adiron disse...

Primo

Essa parte eu deixo para você que é doutor nas ciências exatas..

Arimar disse...

Fabio.
Muito lindo , mesmo!
Beijos

clau disse...

Paixão, se não calculada, parece sempre exagerada.
Mas uma paixão só se torna duradoura quando se transmuta em amor. Que, de preferencia, não seja do tipo desmesurado.
E se ve, claramente, que tanto uma quanto o outro, não seguem qualquer matemática... rss rss
Bjs!