quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O efeito boursin

Raquel não era nenhuma especialista em queijos, ainda que gostasse de experimentar variedades diferentes de tempos em tempos, mas admitia que não entendia nada do assunto, limitava-se a gostar ou não gostar.

Até conhecer Amaral. O namorado era um fanático pelo assunto. Era capaz de diferenciar cada um dos 246 tipos de queijos franceses de olhos fechados. Não era um chato que só falava disso ou que ficasse fazendo citações de Mucor Miehei mas, sempre que podia apresentava um novo tipo de queijo para Raquel.

Numa das vezes que sairam para jantar ele pediu, depois do café, um queijo de nome diferente. Explicou que era um queijo fresco feito a partir de leite de cabra e creme de leite, originário da Normandia, geralmente acrescido de ervas ou amêndoas e frutas secas.

Raquel adorou o queijo, a ponto de Amaral pedir uma segunda porção. A partir daquele dia, todas as vezes que ia ao supermercado, Amaral trazia uma fatia do tal queijo para ela.

Um dia, ao encontrar Amaral, Raquel comentou que tinha saído para almoçar com o chefe e sugerira o restaurante no qual eles tinham conhecido o queijo preferido. Ao contrário da sua experiência agradável ela disse que tinha comido um queijo de cabra pavoroso, escolhido pelo chefe.

Ela não lembrava direito, mas se não estava enganada ele tinha escolhido um tal de queijo boursin, que parecia o que ela gostava, mas com o sabor completamente diferente.

Amaral deu um sorriso enigmático. Ele sabia que o único queijo de cabra daquele restaurante era justamente o boursin. Exatamente o que eles tinham comido naquela noite. Mas não falou nada.

Alguns dias depois ele a levou novamente ao restaurante e, claro, pediu o queijo. Como era de se esperar, Raquel achou delicioso. Então informou que aquele queijo se chamava boursin.

Raquel olhou para o namorado estupefata. Como é que poderia ser o mesmo queijo? Será que o que comera com o chefe era de outro produtor? Será que estava estragado?

Amaral olhou bem nos olhos de Raquel e perguntou: "Você odeia o seu chefe, não é mesmo?" Nem precisou de resposta, a menina ficou roxa de vergonha, como se tivesse sido pega em flagrante.

Ele então explicou que o boursin era um queijo de sabor totalmente influenciado pelos sentimentos, por isso que ele fizera questão que ela experimentasse naquela noite, ele queria saber se ela realmente gostava dele. O resultado não poderia ter sido melhor, a paixão que ela demonstrou pelo queijo era a mesma que ele sabia que iria receber.

Em seguida, tirou do bolso uma caixa de veludo com um par de alianças e a pediu em casamento.

7 comentários:

Raquel disse...

...agora entendi:eu e a minha mania de comer brie,sozinha...

clau disse...

Ah...um queijo de leite pasteurizado!
Apesar do seu cheiro de levantar defunto, comigo tinha que ser um belo e autentico camembert normando feito com leite cru mm.
Mas... penso que talvez este desencadeasse um pedido de divorcio e nao uma proposta de casamento.
Hihihi!!
Bjs!

Vilma A. de Mello disse...

Eu também só me arrisco a gostar e não gostar, ainda bem que não me ofereceram queijo por esses dias...

beijos de quinta

Taty disse...

Preciso carregar um queijo destes comigo e veja que coisa engraçada: não como queijo de cabra por aqui, mas na Grécia devorava todos! Será o efeito boursin? Beijos

Bel disse...

Juro que às vezes fico desconfiada se o que vc "fala" é a sério e eu sou desinformada mesmo (pra não dizer 'ignorante') ou se é 'tudo invenção da sua cabeça'!!!
E tô com preguiça de googlar se esse queijo tem esse "poder" mesmo. Humpf.

Rubinho Osório disse...

Vou parar de opinar sobre queijos na casa dos outros...

Arimar disse...

Querido Fábio.
Não sei o que aconteceu, mas o queijo boursin, não apareceu aqui na baixada. Até onde sei: ESTÁ FALTANDO QUEIJO, he he he
Beijos