segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A chave do castelo

O primeiro cavaleiro chegou ao portão do castelo ao amanhecer. Dentro dele a princesa aguardava por aquele que fosse resgatá-la.

Não havia dragões nem bruxas a serem vencidos. A princesa não tinha sido envenenada, nem estava numa torre guardada por abutres. Tudo que o cavaleiro precisava fazer era abrir o portão.
Ao lado do portão um guardião segurava um molho de chaves, ao todo não passavam de uma dúzia delas.

O primeiro cavaleiro, um herói lendário e cheio de si, olhou a princesa que o observava de uma janela vestida num longo vestido negro. Enfiou a mão na algibeira de onde tirou uma imensa chave, desprezando completamente as chaves do guardião. Como seria de se esperar a chave sequer entrou na fenda da fechadura. O cavaleiro, inconformado com seu fracasso, tentou derrubar o portão dando golpes com sua imensa chave.

E foi embora. Da janela a princesa balançou a cabeça.

No meio da tarde chegou o segundo cavaleiro. Seu cavalo e seus trajes não eram tão luxuosos quanto os do primeiro mas tinha porte de príncipe encantado.

Ao chegar, logo viu as chaves na mão do guardião. Pegou-as, olhou para a fechadura e identificou três delas que poderiam servir. Colocou-as no chão diante de si, lançou seu chapéu para o alto e escolheu a chave que estava mais próxima de onde caira o chapéu. Seguiu resoluto em direção ao portão. A chave entrou na fenda, mas não girou. Forçou-a de tal forma que quase entortou a fechadura.

Abatido, olhou para a princesa com um olhar de constrangimento, fez uma reverência com o seu chapéu, subiu no cavalo e foi embora.

Ao entardecer surgiu o terceiro cavaleiro. Ele aparentava cansaço da viagem mas trazia o olhar cheio de esperança. Olhou para a princesa que lhe sorriu.

Pediu as chaves ao guardião, olhou para cada uma delas, espalhou-as em frente à janela da princesa e disse:

"- Senhora da minha vida, eu não tenho vergonha de vos perguntar qual das chaves é a que me dará acesso ao seu coração..."

" - Meu cavaleiro - ela repondeu - a chave certa não é nenhuma dessas que está à sua frente, mas aquela que trouxestes com a sua alma. Quem abriu a porta foi a vossa pergunta."

Nesse momento ele viu o portão se abrir e, pelas escadas a princesa vindo em sua direção vestida de cores alegres e vibrantes. Entregou-lhe o buquê de lavandas que colhera no caminho e ajudou-a a subir no cavalo.

Partiram em direção à lua crescente que surgia no horizonte. Sementes de lavanda sopradas pela brisa floriam seu caminho.

6 comentários:

Vilma Mello disse...

Incrível,surpreendente

Beijos

Bel disse...

Eita, que as flores de lavanda estão sempre presentes... Já é sua marca registrada!!!

Seja bem voltado!

Ah, tô de casa nova: www.deixoler.wordpress.com

Fábio Adiron disse...

É verdade Bel, depois que conheci lavandas de verdade eu me apaixonei por elas

Rubinho Osório disse...

Ele voltou! A cavalo, cheirando lavanda, fresco - no bom sentido - e renovado!
Welcome, my friend!!!

linda disse...

Que bom que você voltou!!!
E para variar no mais lindo e romântico estilo.
Lembrei do "Terezinha de Jesus", mas de forma clássica e literária.
Beijos.
Arimar

Fábio Adiron disse...

Arimar

O primeiro título que pensei para essa história foi "Teresinha".