segunda-feira, 22 de abril de 2013

Uma mulher cabal

"...o que quero dizer é que deixei uma boa parte de mim mesma inacabada porque desperdicei demais meu tempo. Não  obstante..." (Lillian Hellman)

Quando Amanda acabou de ler essas linhas sentiu-se arrasada. Como uma mulher daquelas poderia se dizer inacabada. Era uma afirmação totalmente descabida.

Tomou uma decisão para a sua própria vida. Ela seria uma mulher cabal, jamais inacabada. Iria ao fim e ao cabo de todas as coisas.

Na manhã seguinte começou a levar a cabo seu intento. Fez uma faxina geral na casa e recolheu todos os cabos existentes dentro do imóvel.

Eram tantos que achou que nunca acabaria, mas acabou com uma caixa de fios emaranhados em cima da mesa da sala.

Começou a separá-los por tipo. Cabos de força, cabos paralelos e seriais, cabos de som, cabos USB...cabos e cabos.

Dentro de cada tipo passou a separá-los por calibre, por potência, por categoria e, finalmente, por cores.

Ao final do dia tinha todos os seus cabos classificados, etiquetados e guardados em caixas específicas para cada segmento.

Fez o acabamento de sua obra, colocando diferentes etiquetas adesivas para identificar o conteúdo de cada caixa.

Sentou no sofá, ligou a TV que passava o Cabo do Medo. Deu uma risada apesar do filme ser de terror.

Foi para o quarto, pegou a camisola no cabide e foi dormir.

Estava acabada.

3 comentários:

Vilma A. de Mello disse...

cabô????

Taty disse...

Cabos acabados e inacabados....vou me acabar!

Fábio Adiron disse...

Tem cabimento esses comentários?