quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Meio sem ambiente


Anderson era um ecologista ortodoxo e intransigente. Até seus amigos, que nutriam uma certa simpatia por suas idéias, foram perdendo a paciência com os seus exageros.

Nem mesmo a namorada, que era diretora de uma ONG que lutava contra a poda da grama em jardins, tolerou a convivência.

Seu carro, movido a energia solar, sofria constantes colisões traseiras. Apesar do adesivo que informava aos motoristas que vinham atrás que aquele veículo brecava para animais, ninguém imaginava que isso significaria paradas bruscas para a passagem de baratas e formigas.

Não comia nenhum tipo de carne desde a adolescência. Quando leu um estudo a respeito da comunicação entre plantas ficou deprimido por semanas. Quantas alfaces ele teria trucidado durante a sua vida? Quantos rabanetes não teriam sofrido mortalmente em suas mãos?

Passou a se alimentar exclusivamente de suplementos minerais e água. Começou a andar a pé. Vestia-se somente com roupas sintéticas. Só não foi viver como eremita em uma caverna pois não teria onde comprar seus suplementos.

Quando sua compleição física se aproximou do ponto de inanição a família o internou numa clínica de reabilitação onde foi forçado a ingerir uma dieta balanceada de carnes, carboidratos, açúcares e verduras.

Morreu de choque ideológico.

6 comentários:

Vilma A. de Mello disse...

Fosse eu a nutricionista mandava servir para dito cujo o pato de estimação dele com molho de laranja..
Teria morrido antes do choque...

Taty disse...

Tá vendo no que dá o radicalismo total? Tudo volta a estaca zero!

Arimar disse...

Ouvi falar que Anderson reapareceu num saquinho de salgadinhos (bem artificial e gordurento) e começou a namorar uma lata de coca-cola light .

clau disse...

Nooossa...
Incrível como me identifiquei com este Anderson! rss rss


Fábio, aproveito para deixar meus votos de Boas Festas, com um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, abençoados por Deus e com muita saúde, para vc, a Virginia, e mais toda a sua família, ok?
Bjs!

Rubinho Osório disse...

...e se tornou parte indistinguível do eco-sistema!

Diogo Correia disse...

O título diz tudo: "Meio sem ambiente"!