terça-feira, 6 de setembro de 2011

Stultitiae Laus

Quando Anoia chegou em casa, sua mãe, Frescura discutia com Plutão, recém rebaixado da sua condição planetária.

A mãe acusava o pai de misoponia e destempero. Anoia, não abriu a boca, sabia que, caso o fizesse, ela seria responsabilizada pela situação.

Não era esse o seu desidério, a menina era viciada em discursos laudatórios, quando não os recebia vitimizava-se e, não raramente, exaltava-se.

Frescura olhou para a filha, esperando a oportunidade de transferir a culpa do bate boca para a filha. Plutão, desviou o olhar, como se não percebesse o que estava acontecendo.

Nada falando, além de saudar os pais, Anoia foi diretamente para o quarto, onde encontrou sua irmã Philautia que, por sua própria natureza, também não quis saber da retórica materna.

Anoia recostou-se na cama e mandou um torpedo para o seu namorado, Kolakia, um jovem grego versado na arte da adoxografia.

Chamou-o para sair, ela estava carente de sua loas, especialmente as que eram temperadas com sal. Kolakia não pensou duas vezes, em minutos se dirigiu para Anoia.

A garota, para não enfrentar novamente os pais, saiu pelas portas dos fundos, repleta de inebriação e paramentos, em busca dos seus objetivos hedonistas.

Kolakia, com seu jeito satírico pleno de abusos supersticiosos, levou Anoia a gargalhadas e espirros.

Naquela noite, Anoia dormiu em paz e sonhando com todos os elogios feitos à sua loucura.

7 comentários:

Taty disse...

Cheguei a conclusão de que preciso fazer algumas viagens pra entender as suas histórias, viagens em todos os sentidos! Desta vez, preciso voltar pra Grécia. Beijos...

Fábio Adiron disse...

Nesse caso, basta ir até Rotterdam

Vilma A. de Mello disse...

Esta faltando um "par" na Anóia.

Bom dia!!!

Rubinho Osório disse...

Durma em paz, Adiron. Elogio a tua loucura!

Arimar disse...

Fabio.
Fiquei com uma grande dúvida:
Quando Anóia voltou e foi dormir, a Kolakia , sua irmã, estava lá?
Outra coisa: É importante entender a situação de Plutão, que sempre se achou o mais distante da terra, e não é mais .
Vou refletir mais ....
Beijos.
Arimar

Fábio Adiron disse...

Rubinho: agradeço erásmicamente

clau disse...

Digno de se ler degustando uma ambrosia, mas daquela dos deuses do monte Olimpo...
Bjs!