segunda-feira, 9 de julho de 2012

Bonança

Mensagem
"We are such stuff as dreams are made on." (William Shakespeare)
 
Quando ele viu aquele rosto algo lhe disse que era conhecido. Extremamente conhecido, apesar disso não sabia exatamente de onde, ou quando.
 
Ela sorriu para ele e veio na sua direção. Ele retribuiu o sorriso e começou a pensar em formas de driblar a memória que o traia sempre quando mais precisava dela.
 
Foi salvo pela frase que ela usou para cumprimentá-lo. Não conversavam desde o dia da formatura dela.
 
As imagens começaram a correr rapidamente pela sua mente. Ele a conhecera na sua festa de formatura. Era a namorada de um dos seus colegas de classe.
 
Meses depois ele foi à formatura dela, que era da mesma classe de uma das suas primas.
 
Como ela ainda estava com seu ex-colega, acabaram sentando na mesma mesa e conversaram bastante durante a festa. Especialmente sobre Shakespeare de quem ambos gostavam.
 
Nos anos seguintes tiveram encontros esporádicos. Uma vez num corredor de um shopping center, onde ela passeava com a irmã. Outra vez, em outro shopping,  cruzando nas escadas rolantes.
 
Perguntou o que ela fazia naquele evento. Lembrava que ela era médica e estranhou sua presença numa festa de entrega de um prêmio de jornalismo. Ela estava lá ajudando a irmã que era a responsável pelo buffet da festa.
 
Trocaram telefones e se despediram.
 
Nos dias seguintes a imagem dela não saia da cabeça dele. Não sabia se ela estava com alguém, arriscou convidá-la para ir ao teatro e jantar. Ela aceitou o convite.
 
Foram ver "A tempestade". No meio do segundo ato, quando Gonzalo dizia que ali tudo era vantajoso para a vida, ele notou que ela abria discretamente a bolsa.
 
Sairam momentos depois. Ela recebera uma chamada do hospital e precisava ir ver um caso de urgência.
 
Ele a levou e ficou esperando. Quando ela ressurgiu ela cochilava na sala de espera. Já era de manhã. Ela o convidou para tomarem café juntos.
 
Entre uma xícara e outro descobriram-se um no outro.
 
Entre uma xícara e outra entenderam porque o tempo demorara tanto em aproximá-los.
 
Cada um era o sonho e além do sonho do outro.
 
E cada um passou a ser a vida e muito além da vida do outro.
 
Imagem: "Miranda - The Tempest" de John William Waterhouse

4 comentários:

Vilma A. de Mello disse...

Nem tudo são flores, às vezes pode ser café...

Taty disse...

Ah! Eu adorei!!! Principalmente o final....beijos provençais direto da França.

Arimar disse...

Fábio, sempre inspirado. Adorei.

clau disse...

E olha que eles nem eram o "Harry and Sally, feitos um para o outro"...
Hihihi!
Mas mm assim, Fábio, eu gostei muito!
Bjs!