sábado, 4 de fevereiro de 2012

Caminhos cruzados

“Love seeketh not itself to please, nor for itself hath any care, but for another gives its ease, and builds a Heaven in Hell's despair.” ― William Blake, Songs of Innocence and Songs of Experience

Nascido em Boituva, João mudou para São Paulo na adolescência, quando o pai foi transferido para a sede da empresa. Foi morar na Avenida Higienópolis 500 e estudar no Rio Branco.

Maria, paulistana da clara, nasceu e morou até casar na Higienópolis 481, em frente ao prédio de João. Menina recatada, estudava no Sion

Devem ter se cruzado centenas de vezes no meio dos caminhos do bairro. Nunca souberam que o outro existia.

Entraram na faculdade no mesmo ano. Maria foi cursar Direito no Mackenzie. João, engenharia na FAAP.

Frequentavam a mesma padaria Barcelona, a mesma farmácia da Angélica e até a mesma loja de CD´s da Vilaboim.

Maria conheceu Victor no preparatório do exame da ordem. Casaram dois anos depois na capela do Sion. Tiveram duas filhas, se separaram antes de completarem 10 anos de casados.

João conheceu Marta numa festa de aniversário da família. Paixão fulminante. Casaram gráviso 3 meses depois, na mesma capela do Sion.

Quano Marta e João saiam da igreja, Maria esperava para entrar. João reparou que Maria era a noiva mais linda que tinha visto na vida, mas não era o momento de fazer esse tipo de comentário.

O casamento de João e Marta durou quase 15 anos. Acabou de forma litigiosa. João foi em busca de um advogado. Um amigo lhe indicou Maria.

Quando entrou na sala da advogada, João teve a impressão de que já a conhecia, não falou nada, isso soaria como uma cantada.

Maria cuidou do processo de forma rápida e ponderada. Em menos de seis meses o assunto estava resolvido.

Quando sairam do Fórum, João convidou Maria para almoçar. Até aquele momento só tinham falado do processo, o almoço serviu para falar de amenidades.

À medida que falavam da vida foram descobrindo que passaram a vida toda um ao lado do outro.

Que tinham os mesmos gostos, a mesma visão de mundo e, principalmente, a mesma visão do que deveria ser um relacionamento duradouro.

Ao almoço seguiu um jantar, uma ida ao cinema e o começo do namoro. Amor de verdade. Amor para sempre.

Casaram-se meses depois. A caminho da lua de mel, João lamentou que tinham perdido 15 anos na vida quando poderiam ter se conhecido antes dos seus respectivos casamentos.

Maria sorriu e encerrou a questão: se João não tivesse casado, eles nunca teriam se conhecido.

Nunca mais tocaram no assunto.

4 comentários:

Arimar disse...

Fábio.
Já dizia Vinicius : " A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida"
Você voltou das férias inspirado!!!
Ainda bem !!!
Beijos

Taty disse...

Isso prova que o mundo sempre gira e quem está no seu caminho, nunca sai, apenas se afasta por algum tempo. Beijos

clau disse...

Nossa, Fábio!
Ler isto foi melhor que ler todo um livro do Hercule Poirot!
Pois a estória, além de muito bonitinha, ficou muito "bem amarrada" tb. rss
A não ser que, na verdade, tenha sido uma história de verdade, quem sabe...? rss
Bjs!

Fábio Adiron disse...

Clau

Não chega a ser uma história real, ainda que eu tenha aproveitado uma frase que ouvi para criar o contexto onde ela servisse.
Beijo

Taty
The wheel keeps on spinning