sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Quente, muito quente


Arnaldo bateu o olho na geladeira da mercearia e seus olhos brilharam: salsichas Frigor Éder, aquelas mesmas que comia na sua infância. Salsicha fresca, não aquelas porcarias de pacotinhos que continham muita soja e quase nenhuma carne.

Mostrou para a namorada e disse que aquela noite ia comer cachorro quente. Marilda, que também gostava do acepipe lamentou que já tinha se comprometido com a irmã de jantar na casa dela. Fez Arnaldo prometer que voltariam outro dia à mercearia e comprariam mais salsichas.

Salsichas frescas, como é de domínio público, não devem ficar guardadas de um dia para o outro e, em hipótese alguma, podem ser congeladas.

Continuaram as compras e, já no caixa, Arnaldo falou para Marilda que o que ele queria mesmo era que ela fosse para a casa dele comer o seu cachorro quente.

Marilda não teve tempo de responder, quando a moça do caixa falou que estava com inveja dela, bem que gostaria de comer aquele cachorro quente, até porque estava morrendo de fome.

Marilda foi ficando rosa, vermelha, púrpura, roxa... Arnaldo que colocava as compras nas sacolas só percebeu o que estava acontecendo quando ouviu a caixa, aos gritos, pedindo socorro.

Marilda tinha agarrado a moça pelo pescoço e a mirava com um olhar de ódio que, sózinho, seria capaz de matar uma baleia azul.

Por sinal, azul era a cor que estava a moça do caixa, de pavor e de cianose provocada pelo sufocamento que sofria.

Foi preciso de Arnaldo, do dono da mercearia e mais outro cliente que estava na fila para tirar as mãos de Marilda do pescoço da moça.

Arnaldo não estava entendendo nada do que acontecia, até quando, arrastando Marilda para fora da mercearia, a ouviu gritando para a caixa:

" - Jamais, jamais, sua vagabunda, se ofereça de novo para comer o cachorro quente do meu homem!"

5 comentários:

Raquel Jacobsen disse...

eu também não gosto de dividir a minha salsicha.Principalmente se for "salsichão com alho"

Anônimo disse...

Caramba.....preciso realmente prestar atenção nas palavras! E pensar que comi tanta salsicha na Alemanha.....

Arimar disse...

Fabio.
Bem feito para Marilda, quem mandou ela dizer que ia comer na irmã ?
Uma coisa que não entendi no texto: A salsinha era picante?
Beijos.
Arimar

Arimar disse...

Fábio.
Existe alguma cláusula quanto ao número de comentários insanos que podemos postar?
É que esqueci de comentar :
Se fosse aqui nesta cidade (onde há 3 mulheres para cada homem) imediatamente ela falaria:
"Lógico que sim, e ainda faço aquele molho que você gosta."
( e você não teria a insanidade do dia, lamento, rs rs rs )

Vilma A. de Mello disse...

Interessante como Arnaldo ficou de santo nessa história, mais interessante ainda quando seu marcador diz "mulheres" como se os homens não fossem passíveis de atitudes assim. Se eu não te conhecesse um pouquinho diria que está sendo machista, mas enfim, a história é deliciosa. Quanto a salsicha, cada um cuida da sua como pode, risos.

Beijos