sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O discurso canalha


“O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.” Nelson Rodrigues

Desde os primórdios o homem se recusou a assumir os próprios erros. Adão disse que foi a mulher, Eva disse que foi a serpente.

A serpente não tendo a quem empurrar a culpa saiu rastejando, mesmo porque não podia nem apontar o dedo nem enfiar o rabo entre as pernas por questões anatômicas.

Time que perde o jogo faz a mesma coisa. Diz que a culpa é do juiz. Da torcida. Dessas regras que inventaram e, se não sobrar para mais ninguém, a culpa é do vendedor de cachorro quente no estádio que gritou mais alto na hora do chute e distraiu o goleiro.

Todos são perfeitos. Todos são maravilhosos. Todos são irrepreensíveis.

Como admitir, diante dessa grandeza e maravilha, que o adversário foi melhor?

Claro que deve ter acontecido alguma coisa estranha. E a coisa estranha só pode ter origens exógenas ao ser impecável.

Roubo, fraude, má fé, estelionato e outras desonestidades quaisquer são exclusivas dos outros. Nunca minha.

Pessoalmente estou cansado desse discurso vaidoso, alarmista e canalha.

Como diriam meus ancestrais: vá apoquentar a sua vovozinha!

5 comentários:

Lou Mello disse...

Não sei quanto a você e o Nelson, mas quanto a mim, posso afirmar, sem sombra de dúvida, que nunca errei. Em toda a minha vida, sempre que algo não deu certo, a culpa sempre foi dos outros. :)

Fábio Adiron disse...

Você é o protótipo dos amigos do Fernando Pessoa...

rubens osorio disse...

"A culpa é minha, ponho em quem eu quiser" - Homer Simpson

Fábio Adiron disse...

Sábio Homer...mas vire essa culpa para lá que eu não tenho nada a ver com isso

Roberto de Avillez disse...

Alguns não assumem uma única culpa. Eles têm dez culpas...