quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Novos aforismos


Mensagem
Maus jogadores são sempre maus perdedores

Não se surpreenda com as minhas ações, elas são apenas a execução das minhas convicções

A liberdade de expressão é a liberdade de dizer a verdade (e com educação)

Nada mais oximórico que um verdadeiro mentiroso

Quem não tem cão caça sem precisar levar saquinho para recolher cocô.

Mais dia menos dia e você acaba sem dia nenhum

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rapidinhas

Lógica estruturada

No meio da lua de mel
ele não resistiu e declarou:

"- Meu bem, agora eu posso te beijar em qualquer lugar..."


"- É verdade querido, mas não qualquer lugar ao quadrado."


"- Como assim? Ao quadrado?"


"- Não pode ser em qualquer lugar em qualquer lugar."


"- Você bebeu muita champagne, docinho?"


"- Pensa um pouco. Você pode me beijar em qualquer lugar em poucos lugares e se quiser me beijar em qualquer lugar nao poderá ser em qualquer lugar."


"- Hein?!?"


Naquela momento ela percebeu que o casamento não ia durar muito.

Semântica

Ela sempre confundia alhos com bugalhos.

Abastecia a despensa com excrescências da azinheira do fundo do quintal e, não poucas vezes, cozinhou o spaghetti ao bugalho e óleo.

Já o alho que a mãe insistia em trazer da feira, era lançado no jardim para alimentar as vespas.

Teria levado a vida sem sobressaltos se não tivesse sido atacada por um vampiro que a esbugalhou.

Desarticulações

Quando ele disse que iria colocar as mãos na água para secar ela achou que era mais uma de suas piadas sem graça.

Ao perceber que ele não saia do banheiro e que a torneira estava aberta, acreditou que era provocação, só para vê-la com sua expressão de desgosto*

Bateu na porta do banheiro, ao que ele respondeu que estava ocupado. Ela perguntou o que é que ele estava fazendo.

" - Oras, estou aqui abrindo antes que feche! O que mais poderia fazer num lugar como esse?"

No dia seguinte ligou para o reumatologista e perguntou que remédio ele recomendaria para casos de reumatismo sináptico.

*Não encontrei uma palavra melhor para o termo, em inglês, disgusted.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pelo telefone


José já era bem passado dos trinta anos quando resolveu que estava na hora de morar sozinho.

Sua mãe lhe deu todo o apoio, mas os amigos acharam que ele estava fazendo uma maldade deixando-a sem companhia. Os irmãos, mais velhos e casados, não falaram nada, mas também não ficaram satisfeitos com a mudança.


Para não causar muito stress, José foi morar a poucos quarteirões da mãe. Ajeitou-se bem num pequeno apartamento e, com a ajuda de Rosana, sua namorada, decorou-o sem exageros e com bom gosto.


Assim que sentiu que estava devidamente instalado avisou os amigos sobre o novo endereço e o novo telefone.


O que ele não esperava é que o telefone nunca tocasse. Não que não funcionasse, ele fazia ligações normalmente e quando ligava do celular para o fixo era bem sucedido.


Depois de 6 meses ele era capaz de contar nos dedos das mãos as ligações recebidas. Duas ligações de televendas, uma por engano e uma de Rosana (que preferia ligar no celular) e uma da mãe avisando que iria passar o final de semana na casa de um dos seus irmãos.


Acostumou-se com o fato e, num determinado momento, esqueceu do assunto. Até o dia em que Rosana veio passar o primeiro fim de semana com ele.


Diferentemente do telefone de José, os de Rosana tocavam o dia inteiro. Fazia sentido, médica pediatra, sempre tinha alguma criança com otite ou rotavírus ou, pelo menos, alguma mãe fresca em pânico sem nenhum motivo.


José já se acostumara a ser interrompido durante os momentos mais inusitados pelos telefones de Rosana inclusive, nesse final de semana, ela chegara em casa receitando colutórios.


Quando entrou, ela deixou seus três telefones na mesa da sala. Ajudou a preparar o jantar, comeram, lavaram a louça, assistiram a um filme na TV e foram deitar.


Rosana, nesse momento, percebeu que não recebia ligações há mais de três horas. Checou os telefones. Todos com baterias carregadas e sinal das operadoras.


Foi deitar preocupada mas depois pegou no sono e dormiu profundamente, como há muito não acontecia.


Assustou-se ao acordar. Achou que tinha dormido tão pesadamente que não ouvira os telefones. Mas não havia nenhuma chamada.


Ligou o computador de José já supondo que algum desastre tivesse derrubado o sistema telefônico nacional. Nada. Vida normal.


José, de tão acostumado ao silêncio, nem tinha percebido. Pegou seu telefone e ligou para os celulares de Rosana, todos tocaram.


Pior, mal colocaram o pé na calçada para ir à padaria e começaram as chamadas para Rosana.


José ligou para um amigo, alto funcionário técnico da tele. O amigo disse que poderia ser um problema de subtensão, surto de tensão ou falha de comutação. José não entendeu nada e o amigo disse que mandaria um técnico verificar.


O técnico veio no mesmo dia, examinou os aparelhos, verificou a rede do prédio, chegou mesmo a examinar a caixa telefônica na rua. Não achou nada.


Levou o problema ao comitê técnico da empresa. Ninguém conseguiu resolver. O caso era realmente incomum. Resolveram fazer um conference call com técnicos de outros países.


Dias depois, José recebeu um pacote pelo correio, era do seu amigo. No pacote, uma carta e um grosso calhamaço com um laudo.


O problema tinha sido identificado por um engenheiro cingalês.


A casa de José estava cercada por uma nuvem de raios epsilon que impediam a propagação de sinais telefônicos.


O nome do problema era "Ego vos ignorare" e atingia qualquer telefone que estivesse no local.


Nunca mais tocou no assunto.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Conto sem fada

Era uma vez um formoso príncipe, de longos cabelos morenos cacheados e olhos verdes que morava num reino muito muito muito distante.

Um dia, sem querer, deixou cair no lago do palácio a sua peteca de badminton. Pensou que as trutas do lago deglutiriam a sua peteca e começou a chorar.


" - Príncipe, não chore, vou pegar a peteca para você." - disse uma rã.


" - Você faria isso para mim? perguntou o príncipe sem se dar conta que estava conversando com um anfíbio anuro.


" - Claro, mas só farei isso em troca de um beijo."


O príncipe que estava ansioso para retomar o seu jogo concordou.


Então a rã pegou a peteca e ficou esperando o beijo, mas o príncipe pegou a sua peteca e voltou para a quadra para terminar o último set.


A rã, furiosa, começou a gritar que queria o seu beijo.


Cada vez que gritava o príncipe errava a sua jogada e já estava quase perdendo o jogo quando seu pai, o rei, o interrompeu.


" - Do que está falando esse batráquio?"


" - Estou só cobrando uma promessa, alteza. O príncipe me prometeu um beijo depois que eu recuperasse a peteca no lago."


O rei encarou o filho com um olhar de reprovação. Promessas reais deviam sempre ser cumpridas.


O príncipe, então, pegou a rã em seus braços e levou-a ao palácio.


Naquela noite jantaram rã à provençal e o príncipe, antes da última mordida estalou os lábios de satisfação e beijou o último pedacinho do prato.

sábado, 6 de agosto de 2011

A carroçável antologia do bimestre


Meus leitores, minhas leitoras. A antologia (ou será antalogia, conforme um dos comentários) é uma brincadeira que faço desde os primórdios desse blog. O segredo é ler as frases fora dos seus contextos e imaginar novas histórias. Aí vão as frases dos meus insanos leitores:

Coisas do alterego...?


Minha batata da perna reclama da canela

Chulas ou não.

Vai saber quando um se transforma no outro!

Adoro trag
édias gregas e cavalos de tróia...

Preciso tomar cuidado com o gengibre e as peras!

acho que preciso de um biruta

agora vou tomar minha sopa de letrinhas.

Xiita da paixão!

para sempre e desde sempre.

Mas oooooooolha!!!!

Mesmo que as pobres continuem totalmente estaticas.

acabei de ouvir sobre tromboscopenia macrolideos fibrinogenio aferese de plaquetas

Por que é que cada vez que escrevo "antologia" acho que sou uma anta???

Então: abaixo o caviar!

Quero ver grafar o poema


t
anto uma quanto o outro, não seguem qualquer matemática..
.

com um inverno espiando na curva...


creio que é mais crível um avião que uma moto
.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

De perder a cabeça

A moda foi lançada, dizem os estudos históricos mais apurados, pela rainha Ana Bolena em 1536 que começou a prática na Torre Branca, no auge da primavera.

Como era uma rainha chique fez questão do método francês.


A moda pegou firme nas ilhas britânicas, a condessa Margereth Pole adotou a prática em 1541 e Catarina Howard, prima de Ana Bolena, invejosa dos dotes da parente, não quis deixar por menos e copiou a prática em 1542, dizem as lendas que ela chegou mesmo a assombrar palácios em busca dos seus objetivos.


Nenhuma delas abdicou de praticar essa perversão em torres, assim como Ana e, da mesma forma, Jane Grey, quase duas décadas depois, em 1554 e a Maria Stuart, mais de cinquenta anos depois, em 1587.


A moda só foi atravessar o canal da Mancha no final do século 18, foi nessa época que o trendsetter da realeza José Guillotin escreveu um artigo na revista Vogue que estimulou duas mulheres monarquistas assumirem seus fetiches em 1793, Maria Antonieta e Charlotte Corday.

Diferentemente de suas antecessoras britânicas, ao invés de torres, usaram as praças públicas, causando grande escândalo.


Apesar das cenas chocantes, a moda se espalhou pela Europa, especialmente nos países germânicos e nórdicos, com vários episódios.

A moda só foi se esvaziar depois da 2a Guerra Mundial, mas ainda em 1935 a Baronesa Benita von Falkenhayn e sua amiga Renate von Natzner protagonizaram a ação em conjunto, para delírio dos voyeurs que espionavam a cena.


Como o Brasil sempre anda correndo atrás das modas, só agora, em pleno século 21 é que as lojas chiques da cidade começam a mostrar o estilo nas suas vitrines, ontem mesmo, vi mais de uma loja expondo os modelitos que, dizem, será a sensação das próximas fashionweeks.


Aguardem com emoção e expectativa. Vem aí o nudismo decapitado.