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A metafísica Kantica

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  “Uma vez que Kant é um dos mais difíceis dos filósofos modernos, eu não posso esperar ter conseguido deixar seus pensamentos inteligíveis ao público em geral. Não me parece claro que todos os aspectos do seu pensamentos sejam inteligíveis, nem para o próprio Kant.”   “Ainda que uma visão geral do sistema kantiano seja comum a todos os comentaristas da sua obra não existe nenhum acordo a respeito da força, ou mesmo do conteúdo, dos seus argumentos.”   Essas duas frase, extraídas do comentário de Roger Scruton sobre a obra de Immanuel Kant (Kant – A very short introduction. Oxford University Press. 1982) já seriam suficientes para desistir de tentar entender a filosofia kantiana, mas eu admito que sou cabeça dura e resolvi enfrentar a fera. Reconhecendo minha limitação para enfrentar face a face os originais do filósofo (e eu até tentei ler numa versão inglesa e depois de algumas muitas páginas reconheci que sozinho não chegaria a lugar nenhum), fui em busca de ajuda. Encontrei

Falando de Pascal

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 Argumentum ad Hominem (literalmente, argumento contra o homem) é um tipo de falácia de relevância, um subgrupo do que é conhecido no campo da lógica como falácias não-formais. Quando não tem mais argumentos para usar, um debatedor agressivo, em vez de refutar a verdade do argumento adversário, ataca diretamente o caráter pessoal do oponente. Blaise Pascal, matemático, físico, inventor, filósofo e escritor, foi também um teólogo jansenista (doutrina estabelecida por Cornélio Jansen, bispo de Ipres, fundamentada nos escritos agostinianos e muito aparentada com os princípios do calvinismo). Ainda que até hoje seja um dos pensadores mais relevantes da história não se tornou uma referência como Descartes, seu contemporâneo e de quem discordava frequentemente quanto à supremacia absoluta do racionalismo. Ninguém atribui a uma pessoa o epíteto de “pascaliano”, mas estamos cercados de pessoas ditas, ou autoproclamadas como cartesianos. O antropocentrismo humanista não aceita o transce

Embriaga-te de Baudelaire

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  Existem livros que lemos na juventude e por mais que tenhamos gostado acabamos nunca voltando a eles.  Outros aos quais voltamos e nos perguntamos por que diabos eu tinha gostado disso? Nos últimos tempos voltei a ler Baudelaire. E me pergunto por que diabos demorei tanto para relê-lo? O "Spleen de Paris", também chamado de pequenos poemas em prosa é algo que deveria  viver na minha cabeceira.  Spleen, na acepção francesa da palavra (não confundir com o inglês onde quer dizer baço, ou sentimento de contrariedade) tem o sentido de melancolia.  A melancolia do vadio Charles pelas ruas e salões de Paris é doce, amarga, leve, dolorosa, compassiva e cruel. Precisa na escolha das palavras e infinitamente mais poética ( resgatando o sentido helênico de poiesis como atividade que revela a beleza do espírito, envolvendo, portanto, prazer e satisfação) que muita coisa escrita em verso que circula por aí. Deixo aqui uma amostra, o pequeno poema XXXIII (na tradução de José Lino Grunewa

A cigarra hodierna

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Tendo a cigarra em folguedos Veraneado o feriado final, Achou-se em doença extrema Sentindo-se muito mal. Não lhe restava fagulha De oxigênio, a tagarela Quis valer-se da formiga Que morava perto dela. Rogou-lhe que lhe ajudasse, Pois tinha saúde e brio, Algum ar com que manter-se Té voltar-se o são feitio. "Amiga – diz a cigarra – Prometo à fé d'animal. Cuidar-me até agosto Com u´a máscara cabal." A formiga nem uma fresta, Abre, nem se junta. "Durante a peste em que lidavas?" À pedinte ela pergunta. Responde a outra: "Eu passeava Noite e dia, a toda hora." – Oh! bravo, torna a formiga; Passeavas? Pois então, e agora? A partir da tradução de Bocage para Jean de La Fontaine (1621-1695), poeta e fabulista francês. Descrição da imagem: gravura mostrando a cigarra conversando com a formiga, de Grandville para a edição de 1847 de La Fontaine

Soneto do lugar comum

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  Eu caminhava em busca de um propósito Que tornasse   a minha vida disruptiva A coach me atendeu toda festiva A polímata pedia de um depósito   O valor era um imenso despropósito Mas ela retrucou bem assertiva Clamou de forma doce e emotiva Usando a resiliência de um compósito   Construiu-se a nova narrativa Pertencimento e ressignificação Empreendendo meus últimos tostões   Hoje clamo pelas redes, compaixão, Empatia me sugerem aos borbotões E uma vida mais contemplativa

El vuelo de Estol

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  El gato de Schrödinger está vivo y maullando, pero Elvis está muerto. Mezclar física cuántica con ética no es para todos, especialmente en un libro que no es una conversación filosófica entre Heisenberg y Kant en un cafetín de Buenos Aires sino una novela cuyo género roza lo indecible.   “El vuelo del cóndor punk” de Acho Estol en algunos momentos parece un libro de acción, en otros un policial (no sin una buena razón, al fin y al cabo, ¿quién mató a Suloaga?) Y nunca deja de tener un aire de historia de amor. El narrador-personaje de Estol, un tal Federico Manuel Moreno, comienza la historia casi sin reconocerse frente a su imagen reflejada en una vidriera   y, a partir de ese momento, nos sumerge en una serie de aventuras. La historia está dividida entre dos accidentes importantes. Uno al principio y otro en las páginas finales, que nos sorprenden en una situación muy inesperada. Pero no lo digo porque no doy spoilers Sexo, drogas y rock and roll mezclado con familia, est

Vamos ispicar ingrês

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Imagem de um porco fingindo ser erudito Juca aplicou uma enrolação para o famoso colégio Imperial de Londres quando realizou que não poderia pretender esconder muitos de seus costumes com medicinas. Exitou (sic) em mencionar suas convicções, por mais valorosas que fossem, especialmente quando tinha sido prejudicado pelo coronel. Adepto de argumentos antecipou as suas apologias cheias de apreciação. Ele que sempre atendera muitas leituras e suportara com seu patronato a livraria local e devolvera toda a fábrica de novelas, eventualmente. Seus parentes nunca intenderam sua sensibilidade e assistiram casualmente a queda da sua confidência e comodidade diante da competição. Ele sabia que estava equivocando sua graduação, plena de gratuidade, sem nenhuma ingenuidade. Prescreveu-se particularmente e retirou seu resumo dos recordes e dos requerimentos, sem reclamar nada. Acabou o dia comendo uma pasta cheia de preservativos no lanche.