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O garoto está de volta

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  Sou cria da década de 60. Um tempo de efervescência cultural, política e, principalmente, musical. Desse período vieram as minhas primeiras influências. Da minha mãe a música clássica e a popular brasileira (ahhh...a época dos grandes festivais), do meu pai as canções folclóricas franco-canadenses, da igreja a música sacra protestante. Uma delas, no entanto, foi, e ainda é, marcante para mim. Os meus primos mais próximos eram cerca de 5 anos mais velhos que eu e, especialmente do Sérgio, eu recebi a herança do Beatles. Literalmente uma herança, não só da música, mas dos compactos que ele repassava para mim. Ainda os tenho por aqui. Não foi à toa que, já na pré-adolescência, o primeiro LP que comprei foi Help! Um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones depois foi descobrindo o mundo do rock´n´roll, sem abandonar todo o resto que gostava. Continuei com descobertas. Do meu primo Alberto aprendi gostar de Peter, Paul & Mary e Joan Baez.   No começo da juventude...

Sextante

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Não me importa a quadratura do círculo Tampouco a triangulação da senoide Obtusas hipotenusas Melancólicas parabólicas Eclípticas elípticas.   As soluções das equações Sejam quais sejam seus graus Infinitesimais Diferenciais Integrais Nem mesmo as derivadas me incomodam. Nem primas nem secundas.   Desencaixoto-me das estruturas Oblitero as fórmulas Obnubilo os sinais do quasares   E aguardo que o sol ressurja a cada manhã (por enquanto)

Entre o real e o ilusório: resposta aos homens ocos

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Inspirado por Vera Helena Castanho O vazio avança e o real se desfaz diante de nossos olhos. Entre imagens, notícias, estímulos incessantes e promessas, o mundo se tornou um espetáculo de aparências e máscaras. T. S. Eliot já havia vislumbrado esse cenário quando descreveu seus "homens ocos", aqueles seres "empalhados" que sussurram vozes dessecadas como "vento na relva seca". Mas onde Eliot via paralisia, podemos encontrar movimento. Onde ele percebia "forma sem forma, sombra sem cor", ainda é possível detectar potências. O ilusório não encanta mais: agora corrói. Dissolve contornos, confunde referências e deixa um espaço silencioso e inquietante, onde antes a realidade se sustentava no bom combate. Os "homens ocos" de Eliot habitam essa mesma terra morta, "esta terra do cacto" onde as imagens de pedra recebem súplicas de mãos mortas. Contudo, diferente da resignação elioteana, cabe reconhecer que não estamos condenados à p...

Tautogramas temerosos

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  Picardias polissêmicas de Paracleto permaneceram pisoteadas por profusos picarescos pintassilgos.. Quem quereria quebrá-las quando querências qualificadas questionavam quocientes? Recordei-me rapidamente raros relacionamentos recônditos. Somente saberia simular situações sorumbáticas se sentisse sonolência sincrética.

Os bestsellers mais não lidos do mundo

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Não poucos livros da história foram tecnicamente definidos como bestsellers, até porque a quantidade necessária para receber esse nome é bastante baixa, cerca de 10 mil exemplares (em mercados editoriais mais pobres como o nosso, 5 mil já é um bestseller).   No entanto, ninguém nunca criou a categoria de worst-read, aliás o termo (os piores, ou menos lidos) nem existe, acabei de inventá-lo. São aqueles livros que vendem muito, são exaustivamente comentados, mas quando você vai ver não passam de decoração da estante.   A melhor maneira de detectar um worst-read é quando percebemos que as pessoas fazem citações inexatas, baseadas no que ouviram falar. Ou quando se referem a ele como um grande livro de “XYZ”, quando na verdade é um livro sobre “PQR”.   A lista abaixo comenta alguns que me chamam a atenção, não é uma lista completa, certamente você vai lembrar de muitos outros que merecem esse título. Vamos a eles: 1.     O nome da rosa : lembro que umas das co...

Baudrillard, Platão e Aristóteles

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Ainda que não haja uma relação direta, é impossível não sentir uma certa aproximação entre os simulacros de Baudrillard e a mimesis de Platão (e a contraposição de Aristóteles sobre o mesmo tema). Baudrillard fala em estágios da simulação, partindo da reflexão do real, para a perversão do real, daí para a ausência da realidade básica e finalmente a completa disjunção entre o que se mostra e qualquer realidade possível. Platão, do seu lado fala da realidade una e perfeita (primeiro nível), das cópias imperfeitas feitas pelo homem (segundo nível) e da reprodução artística como a mimese do que já era imperfeito (terceiro nível). Em A República, ele usa a expressão de três graus de separação entre a verdade e a simulação. Já Aristóteles, na sua Poética, era um defensor da mimética artística que, segundo ele, tinha quatro funções: a primeira antropológica, uma vez que mimetizar é inato à natureza humana, a segunda paidêutica (educacional), pois é pela mimesis que o homem adquire seus ...

O pecado da escuta

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Dizem os relatos bíblicos que, no princípio, Deus criou Adão e Eva e os instalou no paraíso, local onde poderiam usufruir de todas as coisas, exceto comer do fruto de duas árvores: a do conhecimento e a da vida. Como bons ouvintes, o casal escutou a recomendação e a obedeceu durante um tempo que as escrituras não definem a duração. Naquelas tardes fagueiras, à   sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais! Como eram belos os dias. Eles escutaram e viram que isso era bom. Até o dia que apareceu um certo diabo disfarçado de serpente e começou a sussurrar no ouvido de Eva que o fruto das árvores deveria ser muito melhor que qualquer outra jabuticaba que eles comessem, além disso, se ela provasse tal maravilha, ela se tornaria igual a Deus. Eva escutou atentamente esse discurso e não só experimentou do fruto proibido como também foi contar a novidade para Adão, que também escutou e também atacou a especiaria. Cabum!! Apareceu o todo-poderoso e perguntou o que eles tinham apronta...