quinta-feira, 23 de junho de 2011

A mesocrática antologia do bimestre


Mensagem
Mais uma edição encaropitável dos mais abcessos comentários do bimestre. Não tente descobrir a origem da frase, crie a sua própria versão insana

até a insônia parece ter um novo sentido!!!

pelo fato de girarmos de modo insistente em torno de nossos proprios umbigos

nunca deixe um insano sozinho...

Insonia pode deixar o ser humano com vontade de ler dicionário!

sou eu quem esta passando pela vida sem o correto funcionamento das sinapses

vão vender mostarda apenas com retenção da receita...

Tenho mostarda em casa... vou tentar!

Em verdade vos digo: o Marcondes não existe, é ficção!!!!

você começou a estudar o cirilico....

o que fez meu casamento era um "analfabeto".

O juiz que me casou tava bêbado e cegueta, além de ter quase 100 anos e usar fralda descartável.

os buracos negros carregam grandes mistérios e dos bons!

Vou me atirar no primeiro buraco que encontrar

Tem mais é que levar peteleco.

Não seria mais fácil ela dar aqueles beliscões afetivos??

Tô cheia de ver gente muito besta.

compraria um quarto no Pinel e acharia que o mar é o Rio Amazonas!

E além do rap, não se esqueça do heavy metal e de ler a página criminal!

o que será que vc tinha comido antes de escrever isto?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Uma ova!

Leon sempre fora apaixonado por Sulana, mesmo sabendo que suas chances com ela eram remotíssimas.

É verdade que nunca perdia a esperança. A forma que encontrou de permanecer sempre perto dela foi oferecendo sua amizade, o que ela nunca recusou.


Acompanhou de perto todas as suas desventuras com o namorado, um tipo que não dava a ela um átomo do valor que ela merecia.


Mesmo assim, nunca tentou tirá-la dele. Preferia tê-la chorando no seu ombro que o risco dela encontrar alguém melhor. Adorava ser o seu protetor.

Até o dia em que Sulana praticamente desapareceu. Não telefonava mais, mas respondia os seus torpedos e, pior, nunca mais tinha tempo para um café no meio da tarde.

Não demorou muito para ele descobrir o que estava acontecendo. Sulana encontrara um outro homem que a fazia feliz e não queria dedicar tempo senão a ele.

Leon tentou se reaproximar de todas as formas, chegando mesmo a irritar Sulana com a sua insistência.

Resolveu ser simpático. Chef de um restaurante francês, Leon convidou Sulana e Aron, o namorado, para jantar em seu estabelecimento.

De alguma forma queria desmascará-lo depois de saber que, supostamente, Aron era um gourmet.

Recebeu-os com uma taça de Royal Guillevic, a chiquérrima sidra da Bretanha e ostras frescas. Por conta da casa, é claro

Quando Sulama e Aron foram escolher o prato principal Leon sugeriu que Aron comesse os raviolis de Beluga com molhos de aspargos salteados em Calvados.

Aron aceitou, sem disfarçar uma certa desconfiança sobre as intenções de Leon.

"- Esse cara quer me envenenar..." disse para Sulama

"- Imagine amor. Leon está enciumado, mas não é má pessoa."

Quando os pratos chegaram, Aron puxou uma cadeira e pediu que Leon se sentasse. Olhando nos seus olhos disse:

"- Você não sabe, mas eu descendo da tribo dos mohawks groenlandeses. Na nossa cultura toda vez que encontramos um novo amigo compartilhamos com ele o mesmo prato de comida. É a garantia de uma amizade duradoura."

Leon empalideceu, depois ficou vermelho, magenta, roxo, amarelo... mas não podia recusar o desafio, ainda mais na frente de Sulama. Pediu talheres ao garcon.

Levaram juntos os garfos à boca. Aron sorria mordaz, Leon suava frio. Segunda garfada, terceira... antes da quarta Leon jogou longe os talheres e começou a chorar.

"- Eu sei! Eu sei! Eu não passo de uma grande fraude." levantou-se entrou na cozinha, de onde não voltou.

Sulana olhou para Aron, que continuou a comer, de forma inquisidora.

"- Não foi nada amor - disse Aron - mas isso aqui não é Beluga nem aqui nem no mar Cáspio. Não passam de ovas de tainha de Ubatuba".

Tomaram um café. Pagaram a conta. E foram felizes para sempre

sábado, 11 de junho de 2011

A paixão calculada

Apesar de ter um livro de poemas ditos "eróticos" (na minha opinião, poucos o são), Carlos Drummond de Andrade escreveu um dos mais insinuantes poema da língua portuguesa, "A paixão medida", um hino de louvor à métrica grega e latina.

Eu me atrevo a provocar Drummond (desafiá-lo), através da matemática. Afinal de contas, a paixão pode ou não ser calculada?


A paixão calculada

Matemática
te amei, com ternura contínua
e gesto variável.
Tuas abcissas às minhas com força entrelacei.
Em dia logarítmico, o instinto multívoco
rompeu, radiano
a porta vetorial.
Gemido colinear entre breves tangentes.
E que mais, e que mais, no crepúsculo integral,
senão a quociente lembrança
de trigonométrica, da algébrica, incalculável delícia?

sábado, 4 de junho de 2011

Quatro estações

Para ler ouvindo as 4 estações de Vivaldi ou as 4 estações de Piazzolla, ou ambas.

Ele nasceu no inverno, ela no outono, ele sofria no verão, ela odiava o frio.

Ela o viu a primeira vez no inverno, ele, na verdade, nem reparou muito nela.

Ele a reviu no outono seguinte, ela nem notou sua presença.

As estações se sucederam sem que tivessem muito contato. Um inverno de relacionamento.

Reencontraram-se num fim de primavera, mas não conversaram até o final do verão.

No outono as folhas caiam enquanto a amizade frutificava.

Inverno, primavera, verão...

Então ele teve um outono quente. Ela teve um inverno acalorado.

A primavera os acolheu com suas flores e perfumes.

O novo verão os fundiu em seu calor.

Amalgamaram-se no outono gelado.

Solidificaram-se nos rigores do inverno.

Amaram-se eternamente até o final de todas as estações.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O baú do Noé

O baú do motoqueiro trazia em letras garrafais "Entregas Arca de Noé".

Claro que, naquele momento, em meio ao trânsito caótico de São Paulo, todas as piadas possíveis passaram pela minha cabeça (nada como um bom congestionamento para tirar a mente da ociosidade).

Surgiram à minha frente motocicletas flutuantes, especialmente desenhadas para os dias de enchentes e alagamentos.

Imaginei que poderia ser uma empresa especializada em transporte de animais (somente em casais, é óbvio), mas não consegui imaginar um par de rinocerontes sobre uma moto 125cc.

A sede da empresa, a meu ver, deveria ser na rua Monte Ararat em Osasco, mas me enganei, eles estão instalados na zona oeste de São Paulo, perto do Rio Pinheiros, o que facilita a navegação.

Não faço a menor idéia se o Noé dos motoboys também tem uma lojinha de vinhos, espero que, mesmo tendo, não forneça para os seus funcionários, nem que beba em serviço, seria uma maldição do Cão.